A gente que o dinheiro fez de bem

Somos tantos a não ter quase nada/porque há uns poucos que têm quase tudo/mas nada vale protestar/o melhor ainda é ser mudo/isto diz de um gabinete/quem acha que o cassetete/é a melhor das soluções/para resolver situações delicadas - “A vida é feita de pequenos nadas” / Sérgio Godinho.

As sucessivas notícias e abertura de processos judiciais sobre corrupção e fraudes em Portugal, envolvendo quase sempre gente que o dinheiro fez de bem, revela mais sobre o estado de pobreza, social e económica, a que chegámos do que qualquer estudo científico.

É hoje claro, aos olhos de “tantos a não ter quase nada”, que “poucos que têm quase tudo” usaram de meios ilegítimos para conseguir e destruir fortunas enormes. O rol de suspeitos e de suspeitas é vasto em quase todos os quadrantes da vida pública portuguesa – mas quando parece que “nada vale protestar” ou que “o melhor ainda é ser mudo”, o “cassetete” tem de mudar de mãos.

O “cassetete” da justiça, bem entendido – é, ainda assim, “a melhor das soluções para resolver situações delicadas”, apesar da vontade que possamos sentir de inverter o papel dos protagonistas da canção do cantautor Sérgio Godinho.

Hoje, protagonistas como o ex-primeiro-ministro José Sócrates ou o banqueiro Ricardo Salgado, figuras sinuosas de um país em que faliu, pelo menos, a decência, são uma realidade que devemos questionar. Como e porque é que os deixámos chegar até aqui? - A eles e a todos os outros, indiciados ou em fuga como enguias no lodo?

Se não tomarmos a iniciativa e não reforçarmos a vigilância democrática, surgirão rapidamente movimentos que nos prometerão o melhor dos dois mundos. E, como bem sabemos, isso é impossível.


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