José Travaços Santos

Baú da Memória

“Gente da Batalha” – fotografias de António Barreto

Está no Mosteiro, na Capela do Fundador, a exposição de fotografias do Doutor António Barreto, que não é apenas uma exposição de fotografias mas uma manifestação de sensibilidade, de observação cuidada e atenta, um olhar diferente, de originalidades estéticas e históricas de investigação sociológica não só por o autor ser um sociólogo mas porque recriou formas de investigação social e aplicou-as às imagens e às mensagens, fazendo-nos vê-las por esse outro cativante ângulo.

Esta “gente da Batalha” não somos nós que nascemos e vivemos à sombra de Santa Maria da Vitória (ou seremos também?) mas os que tiveram morada definitiva no monumento e tudo aquilo que os portentosos pedreiros batalhenses há séculos gravaram nas pedras.

Mais uma vez o Mosteiro é-nos desvendado no seu mais profundo sentido mas sem o autor copiar, na forma e no conteúdo, interpretações anteriores, porque tudo nesta exposição tem carácter próprio. É de tal maneira singular que nos espanta e é tão belo que nos encanta.

O Doutor António Barreto é uma das maiores figuras da intelectualidade portuguesa e um notável e raro exemplo de integridade e de independência. Pensa por si, sem peias de qualquer espécie, e aprofunda tudo com claros raciocínios que nos conduzem a inovadoras propostas.

Na exposição, sugerida pelo dinâmico director do Mosteiro, Dr. Joaquim Pereira Ruivo, cujo apoio foi decisivo, teve a curadoria de Ângela Camila Castelo-Branco, descendente desse vulto maior da literatura que foi Camilo Castelo-Branco, outro espírito lúcido e sensível que assina um segundo catálogo sobre a iniciativa. O 1º catálogo, chamemos-lhe assim, possibilita-nos trazer as imagens, e tudo o mais que as informa, para casa, permitindo-nos revê-las em qualquer momento e com tempo entendê-las melhor e melhor apreciar a sua beleza. Este segundo catálogo tem um notável texto introdutório do Professor Doutor Vítor Serrão.

Estará patente ao público durante um ano.

Noutro espaço do Mosteiro, no átrio da Adega dos Frades, está, até Outubro, a exposição “Ver-a-Deus”, sobre o trajo domingueiro distintivo da Alta Estremadura, realizada pelo Rancho Folclórico Rosas do lena, também com o apoio decisivo e o patrocínio do Dr. Joaquim Pereira Ruivo e ainda da Direcção-Geral do Património Cultural, iniciativa a que me referirei, se Deus quiser, no próximo número.

 


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