João Ramos

Fisioterapeuta

Fisioterapia respiratória em pediatria

A primeira edição do ano, janeiro frio, um dos meses em que as patologias respiratórias afetam mais a nossa população. Neste artigo abordam-se algumas características específicas do nosso sistema respiratório nos primeiros anos de vida, as patologias mais comuns e o papel do fisioterapeuta no seu tratamento.

No que respeita ao desenvolvimento pulmonar, é de salientar que a árvore brônquica é formada antes da 16ª semana de vida intra-uterina. Os alvéolos desenvolvem-se, na sua maioria, após o nascimento, crescendo em número até aos oito anos e em tamanho com o desenvolvimento da caixa torácica, até à idade adulta. O pulmão cresce de forma proporcional. O volume pulmonar aumenta proporcionalmente ao aumento do peso corporal e os compartimentos pulmonares aumentam linearmente com o aumento do volume pulmonar.

O bebé, em relação ao adulto, tem uma densidade maior de glândulas produtoras de muco, que são igualmente de maior dimensão em relação à parede brônquica e ao pequeno diâmetro das vias aéreas. O tórax do bebé em posição inspiratória implica menor reserva inspiratória em caso de necessidade.

Uma característica também importante referir é a respiração nasal do bebé. Tal facto deve-se à localização da laringe à nascença; a mesma ocupa uma posição alta no pescoço, ao nível da base da língua, relativamente ao crânio.

As patologias respiratórias mais comuns em pediatria são: bronquiolite, infeção respiratória alta/ baixa, pneumonia, asma, atelectasia, derrame pleural e pneumotoráx.

O papel do fisioterapeuta tem vindo a ser cada vez mais reconhecido no tratamento destas patologias. É de salientar (sempre) a importância de uma equipa multidisciplinar na abordagem destes casos. O trabalho da fisioterapia consiste num conjunto de técnicas terapêuticas manuais, que visam a recuperação da função respiratória, através da drenagem de secreções.

O objetivo da fisioterapia respiratória é precisamente eliminar ou reduzir as secreções, de modo a normalizar a função respiratória mais rapidamente.

A Conferência de Consensus Francófona sobre a Bronquiolite do bebé (Paris 2000) julgou de forma diferente e reconheceu o papel preponderante da fisioterapia respiratória.

Apesar dos estudos já existentes nesta área, são necessários mais estudos randomizados, controlados, utilizando instrumentos validados, para que se possa definir melhor o papel da fisioterapia respiratória.

 


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