Francisco Oliveira Simões

Crónicas do passado

Fantasia Bangsiana

Segundo Albert Einstein a IV Guerra Mundial será feita com recurso a pedras e paus. Se é verdade que a História é cíclica, podemos mesmo estar a regredir. Basta ver os sinais de intolerância e ignorância das civilizações, que se fazem sentir cada vez mais. Francis Fukuyama afirmava que após a queda do Muro de Berlim a História tinha chegado ao seu fim, tal como Hegel havia escrito. Quanta imprudência, a História nunca terá um fim, já as minhas histórias um dia terão um final, para regozijo ou tristeza geral, mas hoje ainda não é esse dia.

Hoje venho contar-vos sobre um livro que descobri numa livraria antiga de Lisboa, a Ferin. Estava a deambular por entre estantes e mesas repletas desses preciosos pedaços de sabedoria, quando de repente me deparo com uma obra intitulada A Máquina de Escrever Encantada, da autoria de John Kendrick Bangs. Comecei a folhear tão interessante e invulgar achado, rindo-me de vez em quando com algumas passagens absurdas e satíricas. Fiquei convencido e quis compra-lo, principalmente porque custava um euro.

A obra conta as conversas que o seu autor encetou com personagens históricas ou literárias, através de uma máquina de escrever velha e gasta. Dessa forma consegue ganhar dinheiro com os escritos de heróis mundiais sem ter de lhes pagar direitos de autor. É daquelas sortes que nem todos temos.

Bangs nasceu em Nova Iorque, no ano de 1862. Frequentou o curso de Direito, para o qual não tinha muita vocação, desta forma, desistiu da licenciatura e focou-se no mundo jornalístico. As suas áreas de ação eram a poesia, a sátira e o humor. Viria a colaborar com periódicos de grande fama e tiragem, como a revista Life e o grupo Harper & Brothers. O seu ponto alto na imprensa foi o cargo de editor na revista Puck. Pelo caminho escreveu várias obras humoristas, como a que encontrei naquela livraria. Existem três livros que consolidaram um novo estilo literário, a Fantasia Bangsiana. Esses exemplares são: A House-Boat on the Styx; The Pursuit of the House-Boat; e The Enchanted Type-Writer. Em comum têm o facto de fazerem uma ligação entre a nossa realidade e o mundo dos mortos, o Hades, como denomina Bangs.

Quero acreditar que, após a sua morte em 1922, chegou ao Hades e travou conhecimento com todos os seus ídolos.

Agora, sempre que olho para uma máquina de escrever, penso que vai começar a trabalhar sozinha e a escrever poemas de Camões ou Pessoa.

 


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