José Travaços Santos

Baú da Memória

Exposição “Ver-a-Deus”

Em 30 de Maio de 1834 (decreto de Joaquim António de Aguiar) extinguem-se, no nosso País, as ordens religiosas, tendo pouco depois os dominicanos batalhenses abandonado o seu convento. Nesse mesmo ano, o pároco, a Câmara e o povo da nossa paróquia pedem à Rainha D. Maria II autorização para os serviços paroquiais passarem para o Mosteiro, em vista da Igreja Matriz já dar sinais de ruina. 

Concedida logo em Novembro a autorização régia, a partir daí o povo passa a desfrutar do monumento como sua paroquial e a intensificar com ele a relação que, com certeza, seria diminuta ou muito limitada até ali.

A exposição refere-se a essa época, através do trajo camponês distintivo da Batalha e da Alta Estremadura, o denominado trajo de “Ver-a-Deus”, aquele com que respeitosamente se entrava no Mosteiro e com que se participava nos actos religiosos, reportando-se ao seu último período que decorre sensivelmente entre aquele ano de 1834 e 1938. Neste último ano, a Matriz, que estivera um século completamente arruinada, beneficia do seu primeiro grande restauro, mas os serviços paroquiais continuaram em Santa Maria da Vitória.

Por sua vez, uma manifestação etnorreligiosa, como a da Santíssima Trindade, integra-se no monumento, conservando-se tudo o que resultava da criatividade popular, uma outra forma de sentir e de expressar a Fé e de expressar a capacidade criativa e a beleza da alma do povo.

O trajo, a sua originalidade e a elegância na forma de o usar, trajo camponês distintivo da nossa região, e a multissecular Festa da Santíssima Trindade são revelados em todo o seu esplendor nesta exposição realizada pelo Rancho Folclórico Rosas do Lena sob orientação e patrocínio do director do Mosteiro, Dr. Joaquim Pereira Ruivo, e com o apoio da Direcção-Geral do Património Cultural.

Estará, possivelmente, patente ao público até Outubro próximo.


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