Joana Magalhães

Pestanas que falam

Expetativas

As expetativas são, certamente, um dos maiores inimigos da espécie humana e aquilo que os deixa tão tristes no fim como os deixou contentes no início. As expetativas geram-se quando menos esperamos: numa ida ao cinema, num jantar fora num restaurante diferente do habitual, numa nova amizade, numa entrevista de emprego.

As expetativas estão sempre lá a transformar o futuro que, claro, precisamente por ser o futuro, ainda não se realizou e consequentemente não sabemos como será. Esse instinto humano que são as expetativas é também o instinto menos certeiro porque nunca, ou quase nunca se concretiza.

Ou porque o trailer do filme era melhor do que o filme em si, ou porque a comida do restaurante nos caiu mal, ou porque a pessoa se revela alguém com quem não queremos estar ou porque a proposta de emprego não era tão boa quanto parecia... Enfim, já todos passámos pela dura realidade de perceber que a nossa cabeça, nas mãos das expetativas, cria cenários bem criativos que, mais cedo ou mais tarde, se apagam numa aguarela sem tinta suficiente.

E se toda esta história das expetativas parece mal nesta altura, pior ainda é pensar que de cada vez que elas nos "tiram o tapete" nós juramos nunca mais nos deixar influenciar mas, quando damos por ela, lá estamos nós outra vez a fantasiar o quão bom vai ser aquele fim de semana fora naquele destino onde queríamos ir à imenso tempo e que, no fim, nunca é bem assim.

A esse sentimento que temos no momento em que as expetativas são destruídas chama-se desilusão, o melhor amigo das expetativas, pois chega a parecer que trabalham em conjunto com objetivos bem delineados a atingir.

Um outro lado malévolo das expetativas é mesmo o facto de não as conseguirmos controlar, de não terem um botão de "on" e "off" que pudéssemos ligar só quando tivéssemos a certeza que ia tudo correr de acordo com o expectável. Muitas expetativas. E poucas certezas.


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