A experiência da visita guiada: relação entre museu e público

Os museus de todo o mundo viram-se obrigados a cancelar uma das atividades mais requisitadas pelo público: a visita guiada. Tal interrupção deve-se, como já sabemos, às determinações que nos foram impostas pela pandemia de Covid-19. Lamentavelmente, alguns museus não conseguiram reabrir as portas ao público.

Mas tempos mais otimistas se esperam nestes espaços culturais, recuperando-se a pouco e pouco, a confiança dos visitantes.

O ICOM – Conselho Internacional dos Museus tem vindo a dar cada vez mais ênfase à função educativa e inclusiva dos museus, o que reforça a necessidade da promoção de dinâmicas capazes de envolver todos os públicos nestes espaços.

A visita guiada faz parte destas ações, podendo ser uma excelente opção para grupos organizados de crianças, adultos, estudantes, seniores, famílias ou pessoas com deficiência.

Os museus, devem assim, estar preparados para a diversidade de quem os visita, sendo os seus técnicos (educadores, mediadores, conservadores, curadores…) os “interlocutores” entre as coleções e o público.

Para estes técnicos é fundamental ter presente esta diversidade e conhecer as motivações dos visitantes, por forma a preparar a visita guiada.

É necessário ter em conta, a título de exemplo, que um grupo de crianças traz consigo muita curiosidade e muita energia. Brincar é essencial na sua aprendizagem, pelo que as visitas deverão ter presentes momentos lúdicos, onde a observação, a experimentação e a interatividade estejam incluídas na atividade.

Numa visita que envolva público familiar (crianças e adultos em interação), os técnicos terão de envolver todos; respondendo à curiosidade e expectativas das crianças e dando respostas aos familiares adultos, numa experiência que permita aos pais ensinarem algo aos seus filhos.

Já o público escolar que, no caso do MCCB – Município da Batalha, constitui a maioria dos visitantes em contexto de visita guiada, deve existir uma preparação prévia com o professor que organiza a visita. Nela são conhecidos os objetivos da atividade, o nível escolar dos alunos, os temas que se pretendem abordar e a sua articulação com os programas escolares. A visita será uma experiência que procura ir ao encontro dos anseios naturais da idade dos estudantes, com forte teor pedagógico, que tem os objetos expostos como elementos fundamentais, permitindo o conhecimento in loco de dados históricos, artísticos, científicos ou etnográficos.

Para grupos de pessoas com deficiência, a acessibilidade é fundamental, devendo a visita promover a inclusão física, intelectual e sensorial. Também com estes grupos se faz uma preparação prévia com os seus responsáveis, por forma a preparar recursos, o discurso e atitudes a fomentar, bem como experiências que permitam um pleno usufruto do museu.

As visitas guiadas fazem parte da atividade do MCCB, que agora recupera o encontro com estudantes, adultos, seniores, grupos de pessoas com deficiência, oriundos de todas as partes do país e também do estrangeiro. Estas experiências darão a conhecer o nosso património concelhio, permitindo a criação de laços com uma grande diversidade de pessoas, reforçando a missão de ser o Museu de Todos e para Todos.

Esperamos encontrar os nossos leitores numa visita guiada muito em breve. Para tal basta contactar os serviços do museu través dos contactos: geral@museubatalha.com e 244 769 878.


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