José Travaços Santos

Baú da memória

Etnomusicólogo Dr. Joaquim Calado

Tem o Dr. Joaquim Ribeiro Gomes Calado dedicado grande parte da sua vida à actividade literária, à etnografia e à música, especialmente à etnomusicologia. Filho do saudoso etnógrafo Francisco Gomes Calado, esta última vocação bebeu-a na casa paterna. Com seu pai foi também um dos impulsionadores do Rancho Folclórico do Reguengo do Fetal.

O velho Reguengo da Magueixa, a partir de Junho de 1910 designado por Reguengo do Fetal, a mais antiga paróquia do concelho da Batalha (fundada perto de três meses antes da da vila), que o viu nascer, é outra das suas vocações e paixões, investigando-lhe a história, estudando-lhe o folclore, incentivando-lhe as iniciativas.

É interessante referir que se licenciou já com 51 anos e muitas décadas depois do curso liceal, em Línguas e Literaturas Clássicas e em Estudos Clássicos e Portugueses, na mesma altura em que um dos seus filhos terminava a Universidade. Profissionalmente foi durante 37 anos funcionário superior, especializado em técnica e controle de moagem, em vários organismos reguladores do ramo industrial dessa actividade.

Da sua experiência e do estudo que fez ao longo do seu tempo de serviço, resultou a publicação de um “Manual de Moagem e Panificação” para cursos de reciclagem e formação profissional. Nas Caldas da Rainha, onde vive, fundou e dirigiu um hotel, após a reforma, e foi professor de várias cadeiras de Hotelaria e Turismo na Escola Técnica e Empresarial do Oeste.

Publicou em 1999 dois preciosos cadernos genericamente intitulados de “Buscas e Rebuscas… de Estudos Portugueses” (Caderno I) em que desenvolveu brilhantemente e com originalidade os temas “O Mito Clássico em “A Sibila” de Agustina Bessa-Luís” e “Fernando pessoa Teorizador da Modernidade” e “Buscas e Rebuscas… de Estudos Clássicos” (Caderno II) em que Sófocles e a sua obra são analisados com profundidade. Sobre a história do Reguengo do Fetal publicou “Reguengo do Fetal… Contributos para o Estudo Histórico-Etnográfico duma Freguesia Plurissecular” (2001), que tive a honra de prefaciar, e “Memórias do Reguengo do Fetal” (2012), por altura do 5º centenário da sua paróquia.

Foi um colaborador assíduo do “Jornal do Reguengo”, fundado por Manuel Poças das Neves, mantendo ao longo dos anos da existência do jornal uma secção, em que assinava Jodalac, que se distinguia pela originalidade, oportunidade dos temas e nível cultural, e nas Caldas da Rainha criou uma escola de cavaquinhos, um dos instrumentos de que é exímio executante.

Depois da notável gravação que fez do Cancioneiro da Magueixa (nome também do Grupo Musical que dirige), lançou agora “SONS, TONS E DONS (…de gente fixe e sem renome com talento)”, cuja capa se reproduz. É um álbum de 21 músicas, das quais Joaquim Calado é o autor de 20. Dez são dedicadas ao Reguengo, sendo os temas restantes escritos por cinco poetas reguengueiros e um por um alentejano.


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