A Opinião de António Lucas

Ex-presidente do Município da Batalha

Estranhos tempos estes

Quem diria há três ou quatro meses que estaríamos tanto tempo confinados às nossas casas em teletrabalho, nos casos possíveis, que tanta gente estaria em lay-off, que tanta empresa estaria fechada, que não poderíamos sair do concelho de residência salvo em situações muito especiais, que as crianças e jovens não poderiam ir à escola, que não poderíamos visitar os nossos idosos, que para irmos ao supermercado teríamos que usar máscara, que não poderíamos cumprimentar-nos, que o Santuário de Nossa Senhora de Fátima estaria fechado e com a GNR a impedir a aproximação de peregrinos...?

Sem querer ser pessimista ou fazer futurologia, atrevo-me a dizer que nada mais vai ser igual, salvo se surgir um medicamento ou uma vacina que controle este coronavírus, mas mesmo que assim aconteça, tudo indica que outros coronavírus virão. Quererá isto dizer que vamos ter que adaptar o nosso modo de vida a vivências diferentes das que estávamos habituados? Nós que gostamos de animação, de festas, de convívios, de futebol no estádio, teremos que mudar de vida?

Esperemos que não. Esperemos que as medidas implementadas pelo mundo fora, umas de uma forma mais assertiva, outras mais desorganizadas, produzam os efeitos desejados no controlo da pandemia e rapidamente possamos voltar a uma vida próxima da nossa vida do ano passado. Digo isto porque algumas mudanças serão inevitáveis.

Se dúvidas houvesse, concluímos depressa que muitas reuniões que antes eram ao vivo, poderão sem nenhum problema ser efetuadas, com resultado quase igual, por uma das muitas soluções gratuitas existentes no mercado, Zoom, Skype, Microsoft Teams, Messenger, etc. Com isto evitamos perdas de tempo em deslocações, poluição atmosférica, despesas adicionais.

No entanto, fica a faltar algo. A importância do contacto pessoal, a confiança de um aperto de mão. A reunião faz-se, mas a relação pessoal não será a mesma. Mas teremos que nos adaptar e viver a nova realidade.

Um vírus minúsculo e invisível colocou-nos em casa e obrigou-nos a mudar de vida. Temos que reconhecer que o nosso sistema de saúde tem respondido bem ao grave problema que nos assola. Os governantes com um passo trocado aqui, um tropeção acolá, com mais ou menos show off, também têm estado bem e os cidadãos têm, salvo raras exceções, sido exemplares no cumprimento das regras do estado de emergência e agora no estado de calamidade.

O que os cidadãos não aceitam mesmo é o tratamento desigual. O que os cidadãos não aceitam é que se comemore o 1º de Maio e não seja possível ir a Fátima no 13 de maio. Aqui o governo esteve mal ao permitir aquela comemoração. Dirão alguns, mas quem organizou o 1º de maio foi a CGTP e o Governo autorizou o Santuário a organizar o 13 de maio. Pois nós sabemos isso, mas quem teve efetivo bom senso, não foi o Governo nem a CGTP, foi o cardeal D. António Marto que manteve o Santuário fechado.

Este vírus, se não servir para mais nada, servirá pelo menos para que o bom senso regresse e passemos a dar efetiva importância ao que é mesmo importante, as pessoas.

 


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