João Ramos

Fisioterapeuta

Entorse tíbio-társica

Na edição deste mês aborda-se a lesão músculo-esquelética mais comum no desporto, a entorse da tíbio-társica, vulgarmente conhecida como entorse do tornozelo.

O mecanismo de entorse da articulação tíbio-társica pode ocorrer mesmo sozinho devido a um mau apoio do pé, pela mudança brusca de direção, após uma queda ou despoletado por traumatismo direto causado pelo contacto físico com outro atleta.

Cerca de noventa e cinco por cento das entorses localizam-se no compartimento externo do tornozelo, desencadeado em inversão (pé vira para dentro). O ligamento lateral externo (composto por três feixes) estira excessivamente (lesão de grau I), pode romper parcialmente (lesão grau II) ou totalmente (lesão grau III).

A entorse do tornozelo pode também acontecer em eversão (o pé vira para fora), no entanto, é muito raro.

Após a entorse existe dor contínua e localizada no tornozelo juntamente com edema, rubor e calor. A mobilidade no tornozelo e pé fica condicionada com a lesão, levando a limitação nas atividades funcionais do atleta na posição pé. Dependendo da gravidade da lesão poderá ser fundamental a utilização de canadianas até existir melhoria dos sintomas.

Deverá colocar em prática o protocolo P.R.I.C.E.:

-“Protection” (proteção): proteção seletiva da articulação, através da colocação de uma meia elástica ou ligadura funcional; é aconselhada a utilização de auxiliares de marcha (canadianas);

-“Rest” (repouso): recomenda-se a interrupção da atividade desportiva e das atividades funcionais mais exigentes consoante a indicação médica;

-“Ice” (gelo): colocar gelo no tornozelo várias vezes por dia essencialmente na fase aguda da lesão, durante vinte minutos cada vez;

-“Compression” (compressão): compressão da região edemaciada através de uma ligadura funcional feita por um fisioterapeuta especializado; esta compressão ajudará na absorção do edema;

-“Elevation” (elevação): elevação do tornozelo de modo a permitir melhor o retorno venoso e deste modo facilitar a absorção do edema.

Na presença destes sintomas deverá realizar uma avaliação da sua lesão com um fisioterapeuta para realizar o tratamento mais indicado para o seu caso específico.

É de salientar que as entorses de grau III terão que ser tratadas cirurgicamente. As lesões de Grau I e II resolvem-se apenas com o tratamento da Fisioterapia.


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