A Opinião de António Lucas

Ex-presidente do Município da Batalha

Eleições autárquicas

Dentro de cerca de dois meses, teremos novas eleições para as autarquias locais. Todas as eleições são importantes, mas estas são ainda mais importantes. Porquê? Porque a gestão que sair destas eleições vai não só gerir os destinos das autarquias de 2021 a 2025, mas, mais importante ainda, vai definir e começar a concretizar os grandes projetos que vão potenciar o futuro de cada um dos concelhos deste país. E esse desenvolvimento acontecerá nesta década, ou nunca mais acontecerá.

Neste período teremos o dobro das verbas recebidas em iguais períodos anteriores, juntando-se o final do Portugal 2020, ainda com 50% dos fundos por executar, o PRR - Plano de Recuperação e Resiliência e o Portugal 20/30.

Nunca mais irá existir uma disponibilidade desta dimensão e penso que a partir de 2030 os fundos comunitários serão residuais e sem expressão, devido ao facto da Comissão Europeia se ter, pela primeira vez, endividado brutalmente para dar sequência ao PRR, como resposta à crise da Covid. Assim sendo, temos pela frente enormes responsabilidades na escolha dos próximos eleitos locais.

As escolhas que temos que fazer ditarão o nosso futuro, o dos nossos filhos e o dos nossos netos. Logo, as responsabilidades são acrescidas e de enorme monta. Saibamos arcar com essas responsabilidades e participemos ativamente nas eleições, votando. E procuremos conhecer os candidatos, a sua experiência de vida, a sua forma de estar, dentro e fora dos lugares de decisão, a sua palavra, antes e depois das eleições, a sua simpatia para com os cidadãos, antes e depois das eleições, a sua visão para o desenvolvimento do concelho, a sua experiência profissional, os seus programas, etc.

Ou seja, comparemos bem a capacidade de cada uma das equipas no coletivo e as capacidades dos candidatos individualmente. E depois escolhamos aqueles que nos parecem mais competentes, disponíveis, com palavra e com motivação e vontade para trabalhar em prol do desenvolvimento do concelho e das suas gentes. Não esqueçamos o passado, mas perspetivemos o futuro e escolhamos os mais capazes, mais habilitados, com visão estratégica e com disponibilidade sincera para os cidadãos e para os ajudar nos seus momentos de dificuldade e nos seus projetos individuais, pessoais ou coletivos.

Escolhamos as equipas pelas suas reais capacidades e não pela cor do partido ou movimento pelo qual concorrem, e se assim fizermos, estou certo que o concelho ganhará e todos ganharemos.

Não nos deixemos levar por promessas e ofertas de última hora, não cumpridas ao longo de anos, apesar de repetidamente prometidas e muitas vezes assumidas oficialmente.

As eleições são o ponto alto da democracia, em que o povo pode escolher os seus representantes, devendo fazê-lo sem qualquer medo ou receio de retaliações, caso o seu candidato perca. Tudo o que não seja assim, é desvirtuar a democracia e potenciar o crescimento de partidos extremistas e totalitários. O povo tem o direito de não ter medo de que o seu projeto amanhã não seja aprovado se o candidato por si apoiado não ganhar.

Os dirigentes associativos não podem ter qualquer receio de que a associação que representam, não tenha apoios, ou tenha menos do que teria se tivesse apoiado o candidato de outro partido. Isto não é democracia, é ditadura, e dessa os militares que fizeram o 25 de abril deram conta há perto de 50 anos.

As opções numa eleição nunca são contra ninguém, mas tão só e apenas a favor das opções que pensamos serem as melhores para o nosso concelho. E quanto mais opções válidas e credíveis existirem, tanto melhor, sendo sinal de que a democracia está viva.

No dia a seguir às eleições, os cidadãos devem e tem de ser tratados de forma igual, quer tenham ou não votado em nós. Foi sempre assim que eu fiz quando concorri a eleições e o movimento que apoio assim fará.


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