José Travaços Santos

Baú da Memória

Eça de Queirós e a sua estada em Leiria

Foi há cento e cinquenta anos que Eça de Queirós esteve em Leiria no desempenho das funções de Administrador do Concelho. Já no “Jornal da Batalha” o referi e contei o episódio descrito por Ramalho Ortigão a Júlio de Sousa e Costa e por este publicado no livro cuja capa ilustra o apontamento, da senhora Angelina, proprietária duma casa de pasto provavelmente no largo em frente do Mosteiro, chamar aos dois ilustres escritores, em agradecimento aos seus elogios à qualidade dos pratos e da cozinheira, “pandilhas finos… pandilhas de certa ordem”. Os dois amigos tinham vindo de visita à Batalha.

Ainda não perdi a esperança, passado este mau momento que vivemos, de na Batalha se realizar um almoço repetindo-se, até onde podemos saber, a ementa oitocentista da celebrada dona da casa de pasto: “sopa saloia de feijão e couve (que os dois repetiram), um arroz com cenoura e pimentos e leitão assado”.

Embora Ramalho o não tivesse referido mas a pinga também teria sido boa. Aliás, temos hoje na nossa prestigiosa Adega Cooperativa vinhos de confirmada qualidade que seriam o acompanhamento digno do repasto evocativo de há 150 anos.

O livro de Jorge de Sousa e Costa é essencial para um melhor conhecimento de Eça de Queirós que nele nos aparece retratado um tanto diferente do que se tem propagado. No pequeno volume, cuja reedição Leiria devia chamar a si, desfazem-se algumas dúvidas sobre as personagens de “O Crime do Padre Amaro”, que estavam longe de serem como o grande escritor as descreveu. E os acontecimentos, também.

Na Biblioteca de Leiria há pelo menos um exemplar deste livro, cuja única edição data de Maio de 1953.


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