Núcleo de Combatentes da Batalha

Notícias dos Combatentes

Dois anos perdidos? – e o que está para trás não conta!?

Há dois anos que a pandemia, provocada pelo vírus da Covid-19 (vírus SARS-CoV-2 – Corona Vírus), vem infernizando a vida da população mundial, Portugal incluído. A ciência tem trabalhado em “contra-relógio”, na busca de vacinas e/ou medicamentos para a combater e, quando, há um ano, apareceram as primeiras, começámos a respirar de alívio, pensando que o “bicho” teria os dias contados.

Pura ilusão nossa, pois as sucessivas mutações em que se tem transmutado continuam a estar, pelo menos até agora, um passo à frente dos investigadores.

Segundo o caudal de notícias alusivas, que diariamente nos chegam, essas mutações já se aproximam das 200 e se a maioria destas não tem causado preocupação especial, pelo menos duas delas – a Delta e a Ómicron – têm-nos dado “água pela barba”. Recordemos que, quando a primeira, bastante letal, parecia estar a ser vencida pela vacinação massiva, eis que surge a segunda, para voltar a “trocar as voltas” à ciência, dada a velocidade a que se propaga.

No entanto, parece não ter o grau de letalidade na proporção dos contágios que provoca, talvez por a maioria da população já estar vacinada, o que é um bom indicador, mas nada de facilitismos da nossa parte, para os números não voltarem a descambar para além das previsões.

A verdade é que no momento em que alinhavamos estas linhas (5 de janeiro) continuamos a ter poucas certezas, a não ser que a pandemia já matou cerca de cinco milhões e meio de pessoas no nosso planeta (19 mil em Portugal), além de continuar a deixar um infindo rasto de calamidades associadas, que nos mantêm em tensão permanente.

Como temos “sentido na pele”, as principais vítimas mortais têm sido os idosos, maioritariamente nascidos nas décadas de 30, 40 e 50 do século passado, onde também se inserem os combatentes das guerras do ultramar, incluindo o signatário.

Se a idade e algumas doenças geriátricas associadas já eram o principal mote das nossas conversas antes da pandemia, com o aparecimento, desenvolvimento e consequências desta, a maioria parece sentir que só veio ao mundo para sofrer as agruras das “7 pragas do Egipto”…

Caramba, velhos e bravos camaradas, será que a nossa já longa vida não teve também coisas boas? Claro que teve e até únicas! Vejamos algumas:

Para melhor nos situarmos, lembremo-nos que, maioritariamente, as nossas idades oscilam entre os 70 e 85 anos, o que significa que nascemos nas décadas acima referidas, ou seja, para começar, nós vivemos em oito décadas; dos séculos; dois milénios!

Vivemos todas as fases da evolução das comunicações, desde os mais rudimentares telefones de manivela aos maravilhosos telemóveis atuais e ao YouTube; passámos da vitrola de gramofone e da telefonia rudimentar, alimentada a bateria, para o streaming sem fios; das cartas manuscritas para o e-mail, WhatsApp, Facebook, Messenger, twitter…

Assistimos ao nascimento da televisão, onde vimos, em direto, o homem a passear na Lua; e depois a deambular pelo espaço sideral e a explorar os outros astros do sistema solar!

Os nossos antepassados passaram quase toda a sua vida a andar a pé. Nós também assim começámos mas, sucessivamente, pedalámos bicicletas, conduzimos motos e carros, viajámos de comboio, em transatlânticos, pelo subsolo, voámos, surfámos e basta vivermos mais um par de anos para podermos ir a Marte no Space X do Elon Musk!

Sim, nós realmente disfrutámos de mais e geniais inventos que qualquer outra geração teve ou terá! Tivemos uma infância analógica, uma idade adulta digital e agora um “Seen All Ager”!

Literalmente, a nossa geração viveu e testemunhou muito mais, em todas as dimensões da vida, que qualquer outra! A nossa geração como que criou um novo paradigma para a palavra “mudar”! Temos é de agradecer (?) por esta existência maravilhosa, significativa e incrível, na montanha-russa da vida!

Vivemos, sem dúvida, a mais singular era de todos os tempos! Cremos, até, que será irrepetível! Só não vivemos a gripe espanhola, mas ainda “chegámos a tempo” do Coronavírus.

E, marco indelével, de permeio, fomos protagonistas de uma guerra sangrenta e longa, da qual a maioria de nós teve a sorte de regressar com vida! Caramba! Que vida tem sido a nossa!

Isto é de mais! Só podemos estar orgulhosos!

Caríssimos camaradas, companheiros, conterrâneos, compatriotas: com ou sem “Covids”, vamos continuar a viver as nossas vidas ao máximo, um dia de cada vez!


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