Dietas há muitas! E felicidade?

Hoje em dia ir a um supermercado tornou-se uma verdadeira epopeia, digna apenas dos mais corajosos. São corredores e corredores cujas prateleiras já não vendem só alimentos, mas sim promessas de saudabilidade. Impregnados de palavras como "light", "0%", "sem lactose", "sem glúten" e outras que tal, torna-se cada vez mais difícil a decisão de que alimentos comprar. Tudo isto culpa da palavra que nos entrou casa a dentro sem bater à porta: dieta. Todos os dias ouvimo-la, quer na televisão ou nas redes sociais, quer nas rádios ou nas revistas, e até pelos médicos.

E afinal, qual a dieta certa?

É importante desmistificarmos logo esta ideia, pois não há uma resposta universal: cada indivíduo é único, com o seu metabolismo, com as suas doenças e com as suas rotinas. Por isso, fica logo aqui o primeiro conselho: antes de iniciar uma dieta procure sempre o seu médico ou um nutricionista, para que lhe seja feita uma avaliação individual, tendo em conta o seu objetivo. Leia-se médico ou nutricionista! Não se deixe levar por dietas milagrosas. A saúde é uma maratona, não um sprint. Deve ser sempre uma mudança de estilo de vida e não algo temporário.

Até lá, lembre-se de pequenas regras gerais. A ingestão de água deve ser feita ao longo do dia, preferencialmente entre refeições. Os vegetais são a base de toda a alimentação! Quanto mais frescos e biológicos melhor, sem mãos a medir. Os hidratos de carbono são os constituintes que dão mais energia. Logo, são também os mais calóricos, devendo, por isso, ser ingeridos de forma prudente. Falamos, por exemplo, do pão, arroz, batata, massa, mas também dos doces e da fruta. Este conselho tem especial importância para todos aqueles que sofrem de diabetes. Caso a ingestão de hidratos de carbono seja inferior a 50g/dia estamos perante uma dieta cetogénica e acredita-se que esta será a que levará a uma maior perda de peso.

Porém, apesar de a palavra dieta estar normalmente associada a perda de peso, esta não deverá ser a sua única motivação. Há alguns anos um jornalista decidiu investigar quais seriam as zonas no mundo com maior esperança média de vida e descobriu aquilo a que hoje chamamos as Cinco Zonas Azuis (Okiznawa, Icaria, Sardenha, Loma Linda e Nicoya). A alimentação destas seria sempre variada, de qualidade e em quantidades muito moderadas. Porém, surpreendentemente, o estilo de vida teria um grande impacto sobre a sua longevidade. Todos permaneciam ativos o máximo de tempo possível, fazendo com que o exercício físico fizesse parte da rotina diária; tinham grande apoio familiar e sentido de comunidade; e guardavam parte do seu dia para meditação ou pequenas sestas, relembrando-nos da grande influência que a ansiedade pode ter nas dietas (quer na sua adesão, quer no seu abandono).

Concluindo, recorde-se que o termo "dieta" não deve ser sinónimo de perda de peso, mas sim de saúde e que esta deve ter sempre dois aliados inseparáveis: o exercício físico e o bem-estar emocional. Receio que esta seja mesmo a receita da felicidade!


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