Diáspora e concelho querem encurtar distâncias

A diáspora batalhense em França foi homenageada no Museu Nacional da História da Imigração, em Paris, e durante o jantar anual de confraternização dos emigrantes do concelho, em Champigny-sur-Marne, em meados de novembro, com a presença da Turma de Teatro e Canto da Academia Sénior da Batalha.

Em ambas as circunstâncias, foi exaltada a figura do comendador José Batista de Matos, natural de Alcanadas, falecido a 1 de julho, o rosto português no museu francês da imigração, pelo seu papel enquanto defensor dos direitos dos trabalhadores migrantes e ativista social.

Na visita ao espaço museológico, Rafael Matos, filho de José Batista de Matos, sintetizou a vida do pai, destacando que foi quem “começou a mostrar à opinião pública que os portugueses vieram para trabalhar e eram pessoas com cabeça, que tinham deveres, mas também direitos. Esta foi a luta dele durante toda a vida”. Por outro lado, “pretendeu fazer um elo de ligação entre os portugueses da Batalha emigrantes e os que ficaram em Portugal. França foi a terra que ensinou o meu pai a ser uma pessoa”.

O Museu Nacional da História da Imigração presta homenagem ao comendador José Batista de Matos, através da exposição de objetos que corporização da emigração portuguesa. “O meu pai esteve 42 anos em França, 42 anos em Portugal, porque repartia seis meses por ano de estadia em cada um dos países. O museu destaca o seu papel social, político e de trabalho”, explica.

O emigrante de Alcanadas trabalhou na construção do metro de Paris (uma tarefa semelhante à de um mineiro, à época), onde começou por fazer cofragens e terminou a carreira como encarregado geral. O associativismo foi outro dos pilares da sua vida: fundou e foi presidente durante mais de 30 anos da Associação Portuguesa de Fontenay-sous-Bois.

O presidente da Câmara da Batalha, Paulo Batista Santos, destacou a “honra de ter um nosso cidadão com a sua vida espelhada” no museu “a representar a emigração portuguesa”, referindo que José Batista de Matos “sempre se notabilizou como defensor dos interesses e dos direitos das pessoas, em França e em Portugal”.

“Há batalhenses que merecem destaque noutros países, como no Canadá, EUA ou Brasil, mas com a história de Batista de Matos e com o seu envolvimento na comunidade portuguesa não há outro - alguém que de forma contínua e durante tantos anos trabalhou como representante dos portugueses, numa questão tão relevante como é a defesa dos seus interesses”, destacou o autarca.

No 27º Jantar Anual de Confraternização da Diáspora Batalhense, que reuniu 200 pessoas [oriundas de Portugal, França, Bélgica e Inglaterra], no dia 17 de novembro, o presidente da câmara municipal “homenageou” as comissões que têm organizado o encontro, destacando um dos seus elementos, que “pela primeira vez não estava presente”.

“Um grande abraço ao José Batista de Matos, esse grande batalhense”, disse o autarca, explicando que as suas palavras concretizavam um gesto semelhante à homenagem feita na Batalha “ao nosso/vosso amigo e elogiou a atual Comissão dos Convívios Batalhenses: “A Anabela e o David foram incansáveis na organização, na ligação com a câmara, a potenciar e alargar a presença dos batalhenses e, inclusive, convidando empresários do concelho que estão agora a fazer negócios em França”.

O presidente da Assembleia Municipal da Batalha, Júlio Órfão, salientou a presença “daqueles que vieram para França, para lutar pela vida e melhores condições de subsistência”. Por outro lado, agradeceu “ao atual e a todos os presidentes de câmara que ao longo dos anos (agora acompanhando mais de perto a dinâmica e o interesse do que está em exercício) têm mostrado a vontade de manter os laços que nos unem e ajudam a diminuir alguma distância, fazendo-nos sentir a cada dia batalhenses”.

Na sua intervenção, David Monteiro, que partilha a Comissão dos Convívios Batalhenses com Anabela Albuquerque, referiu-se “à proposta feita pelo presidente da câmara municipal para se avançar com a criação da Associação Mundial da Diáspora Batalhense, com uma ligação a países vizinhos, com os quais poderá haver intercâmbios, que está a ser concretizada na medida em que os estatutos já foram redigidos”.

Por outro lado, manifestou a vontade de que os batalhenses “participem nos eventos futuros da comunidade portuguesa, pelo que foi criada uma página no Facebook (Diáspora Batalhense). A ideia é manter a página atualizada com informação oriunda de todos”.

O membro da Comissão dos Convívios Batalhenses “relembrou que este encontro é único na comunidade portuguesa em paris e permite juntar familiares e amigos da nossa terra e salvaguardar as nossas raízes com o concelho da Batalha e as suas freguesias das quais nos orgulhamos”.

A comitiva batalhense que se deslocou a França incluiu, além dos presidentes do município e da assembleia municipal, outros membros da autarquia e 21 elementos da Turma de Teatro e Canto da Academia Sénior da Batalha, que apresentaram uma peça de teatro e quatro temas musicais. A turma teve ainda oportunidade de visitar os locais mais simbólicos da região de Paris.


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