José Travaços Santos

Apontamentos sobre a História da Batalha (195)

Destino de alguns valores do Mosteiro de Santa Maria da Vitória

Universalidade de Portugal

Não sei se Portugal

pode cumprir outra missão,

servir outro ideal,

não ser ibérico ou europeu

mas, sim, universal.

 

Não teve naquela idade

da busca dos mundos a haver

nenhum outro motivo,

nenhuma outra intenção

senão

firmar na universalidade

a sua razão de ser.

 

Em boa hora se empenhou o Director do Mosteiro, Dr. Joaquim Pereira Ruivo, em fazer voltar ao monumento valores que fazem parte do seu espólio multissecular e, na impossibilidade de serem os originais, pelo menos as suas réplicas.

Começou este retorno pelas peças expostas na Capela do Fundador, o mesmo espaço onde estiveram, durante séculos, espadas, elmos e um escudo, que pertenceram a reis e príncipes da gloriosa Dinastia de Avis. E o meu desejo é que continuem ali, acauteladas, no local do seu armário primitivo, o arco noroeste da Capela.

Como referi em “A propósito da Exposição “Memória Revisitada, na Capela do Fundador no “Baú da Memória”, publicado no número do Jornal de Setembro de 2018, estas e outras peças históricas que ainda em 1808 estavam no monumento, foram registadas em desenhos do pintor Domingos António Sequeira com a indicação, que lhe teria sido fornecida pelos Frades Dominicanos, a que príncipes pertenceram. Porém, como se verifica nos textos dos especialistas que acompanham a Exposição, nem todas as informações estavam correctas.

Sobre estas peças de incalculável valor documental e histórico, é oportuno lembrar as diligências feitas em 1979 pelo Grupo de Trabalho para a Defesa do Património Natural e Cultural da Batalha, a que tive a honra de pertencer, para se tentar saber oficialmente onde estavam.

Segundo o que se apurou, encontravam-se no Museu Militar, em Lisboa, desde 1912, um elmo e uma espada que pertenceram a D. João I, conforme resposta do Museu Militar em ofício datado de 16 de Agosto de 1979. Porém o ofício nº 52/79, do Grupo de Trabalho, datado de 23 de Agosto daquele ano, em que se perguntava se no mesmo Museu estavam um capacete de el-Rei D. João II, acha-de-armas (uma espécie de machado) e espada do mesmo soberano, não obteve resposta, mas havia a convicção de que também estariam desde o ano de 1912 na mesma prestigiosa instituição.

Por sua vez o Museu Nacional de Arte Antiga, pelo ofício nº 455/19-M-21, de 6 de Setembro de 1979 informava que o tríptico quatrocentista com a figura do Infante D. Fernando, filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, obra de arte que estivera na Capela do Fundador e que o Professor Dr. José Saraiva divulgou no livro “Os Painéis do Infante Santo”, estava guardado, mas não exposto, neste museu que é o principal de todos os museus portugueses.

Quando fiz parte do Conselho Consultivo do Mosteiro de Santa Maria da Vitória e numa das idas a Lisboa na companhia do notável e saudoso museólogo Dr. Sérgio Guimarães de Andrade, então director do monumento, fui recebido por outra grande figura da museologia, a Dr.ª Alice Beaumond, directora do Museu de Arte Antiga, que me mostrou os painéis, falando-se então da possibilidade (remota) de voltarem à Batalha. A propósito do Dr. Sérgio Guimarães de Andrade vem a lume lembrar que em Outubro, se não estou em erro, deste ano, se completam vinte anos do seu prematuro falecimento.

Ainda sobre os painéis do Infante Santo, há também um estudo do Professor Dr. Virgílio Correia, a que oportunamente me referirei.

No arquivo do Mosteiro estará, com certeza, a requisição feita, pela Comissão Nacional dos Centenários, dos Painéis do Infante Santo, para a Exposição em Lisboa, realizada em 1940, da “Pintura Portuguesa dos Séculos XV e XVI”. No documento do depósito, feito no Museu das Janelas Verdes (sic), datado de 16 de Setembro de 1939, descreve-se em breves termos o tríptico “pintado sobre madeira, do século XV, denominado Infante Santo”. A obra é atribuível a João Anes, embora me pareça bastante duvidoso.

Houve outras buscas e outras consultas que o Grupo de Trabalho fez no citado ano de 1979, nomeadamente para saber onde estavam os painéis do retábulo do altar de Jesus, erguido na parede norte do transepto, onde poderiam ter continuado, descobrindo-se que estes se encontravam na Igreja das Trinas ou Trinitárias (Ordem Religiosa), no Rato, em Lisboa. Estes painéis precisam de um estudo aturado, pois crê-se que ali há pinturas de Josefa de Óbidos e, inclusivamente, de Grão Vasco. A este retábulo, ou melhor: aos seus painéis, se refere Vilhena Barbosa na obra “Monumentos de Portugal – Históricos, Artísticos e Arqueológicos” (1886).

Seria uma verdadeira revolução cultural a reintegração destes valores, ou nalguns casos pelo menos das suas réplicas, nos seus destinos de origem onde, expostos em condições de preservação e de segurança, poderiam ser vistos pelas multidões de visitantes de várias procedências, como acontece no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, o segundo ou terceiro dos monumentos mais visitados no nosso País.

Divisão a divisão, a Casa da Cultura do Rosas do Lena

Mas não se trata agora de uma das divisões do velho palheiro transformado em Casa da Cultura, mas do amplo espaço exterior, quase uma praça, que lhe fica a oeste onde se mostra uma das noras tradicionais com o respectivo poço e várias e amplas arrecadações onde se guardam, inclusivamente, peças do espólio museográfico do Rosas do Lena que não cabem no Museu Etnográfico. O espaço, todo empedrado por calceteiros tradicionais, tem a meio um desenho, que é um símbolo do agrupamento, delineado pelo Manuel Gregório Moreira, a camponesa alto-estremenha com o seu chapelinho janota e uma das formas características de colocar o lenço.

No mês de Julho o agrupamento realiza, na Vila da Batalha, no dia 14, o “Festibatalha” e em 10 de Agosto a Gala Internacional de Folclore. 

 


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