António Lucas

Ex-presidente da câmara e assembleia municipais

Desapareceu mais um homem bom e um bom amigo

Escrevo este texto no dia em que vai a enterrar o Sr. Armindo Jordão, deixando aqui algumas notas do meu pensamento sobre este homem bom, amigo do seu amigo, meu amigo, e sempre disponível para ajudar terceiros, com muito trabalho doado à comunidade, por diversas vias e em diverso tempos nos seus 78 anos.

Passei a conhecer muito melhor o Sr. Armindo Jordão quando ele era presidente da associação de bombeiros. Homem dotado de enorme sensibilidade para a causa pública, defensor acérrimo do voluntariado e procurando sempre ajudar a dotar a instituição das melhores condições para os voluntários, mas fundamentalmente para os utentes/utilizadores dos serviços prestados pelos bombeiros.

Estávamos no final dos anos 90, inicio dos anos dois mil, época essa em que a Câmara da Batalha ainda se encontrava financeiramente em dificuldades oriundas da década de 80 e nos bombeiros a situação não era mais fácil. Regularmente falava comigo das dificuldades e várias vezes de grandes problemas. “Presidente, a ambulância tal queimou o motor, temos que a substituir rapidamente”. Ele ia pedindo apoios às empresas e aos particulares e nós a fazer contas para ver até onde a câmara podia ajudar. Rapidamente se substituía a ambulância.

Situações análogas aconteceram algumas vezes, mas também me dizia sempre: “desculpe eu andar aqui sempre a pedir, mas nunca pedi nada para mim”. Eu só lhe dizia, que não tinha que pedir desculpa, mas eu é que agradecia o seu empenho em prol dos batalhenses e dos utilizadores dos serviços dos bombeiros. O mesmo se aplicava a todos os dirigentes associativos, que a troco de nada de material se empenhavam e empenham, em prol dos objetivos das associações que dirigem e dirigiam.

Noutra situação veio ter comigo dando-me conta que a viatura de desencarceramento não reunia já o mínimo de condições para um desempenho rápido, célere e eficaz, no caso de acidentes graves com pessoas encarceradas. Mas mais uma vez, trazia no “bolso” a solução. Já sabia que os bombeiros de Ourém tinham uma viatura nova, com um ano e muito pouca utilização e que haviam recebido do Serviço Nacional de Bombeiros (nome à data), uma outra viatura maior e que assim estavam disponíveis para alienar a primeira.

Lá fomos a Ourém verificar a viatura e negociar a sua aquisição. E como referi antes, a situação financeira da câmara não sendo a melhor, lá negociamos com os bombeiros de Ourém, o pagamento em diversas prestações, colocando de imediato a viatura ao serviço dos bombeiros da Batalha.

O que quero com isto dizer é que era o tipo de pessoa que aparecia com o problema, mas trazia sempre a solução ou parte da solução. Não era do tipo, “tenho este problema, agora faça o favor de o resolver”.

Integrou os órgãos sociais da Misericórdia da Batalha e participou ativamente em diversas associações, tais como: a Associação de Melhoramentos da Freguesia da Batalha, o que permitiu a construção das piscinas cobertas, no Centro Recreativo da Rebolaria, no Rancho Rosas do Lena, etc.

Foi sempre um homem muito ligado e preocupado com a família, um bom empresário e acima de tudo um bom amigo.

Este foi um daqueles homens que deixa muitas saudades.

Uma palavra de forte solidariedade para a esposa e para os seus quatro filhos.

Um grande abraço Armindo Jordão e até sempre.

 


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