José Travaços Santos

Apontamentos sobre a História da Batalha (212)

De novo os Descobrimentos

Pedro Álvares Cabral

 

Nos quinhentos anos da sua morte (acróstico)

 

Parti, capitão-mor da segunda armada,

Em demanda da Índia.

Desbravei, porém o Oceano a poente,

Rota inesperada mas, em segredo,

Ordenada pelo Rei de Portugal

 

Aportei a um novo continente,

Logrando a poderosa Castela,

Vizinha cobiçosa.

A Pero Vaz de Caminha mandei

Revelasse, em carta a el-Rei,

Esta terra prodigiosa

Suspeitada já do Príncipe Perfeito.

 

Continuei a rota para oriente,

Até Calecute, na peugada do Gama.

Boa e magnânima estrela

Regia, então, o destino colectivo que seguimos.

Apagar-se-á um dia, cumprida a Missão.

Lembrar-se-ão os vindouros que a cumprimos?

 

 

Não, não se lembram e tudo fazem para esquecer e até para denegrir esse período único da nossa História, como aconteceu, agora, com o lamentável silêncio sobre a morte, há cinco séculos, do navegador e descobridor Pedro Álvares Cabral.

Como já tenho dito, o Povo Português tem desaproveitado a sua herança histórica, muito particularmente a que diz respeito ao primeiro período dos Descobrimentos, para reencontrar a força anímica que levou os seus antepassados, no século XV e princípios do século XVI, a cumprir a missão de desbravar mares até ali desconhecidos e de delinear o verdadeiro rosto do planeta Terra. Para um Povo, então, de pouco mais de um milhão de almas, foi uma tarefa hercúlea e única na História da Humanidade.

Evidentemente que cometemos erros, que hoje lamentamos, erros muito próprios da natureza humana, mas demos a conhecer a um hemisfério o outro hemisfério, criámos relações com outros povos, demos contributos únicos e notabilíssimos ao desenvolvimento da cosmografia, da navegação marítima, da construção naval, da matemática, da medicina, etc.. Não podemos esquecer que levámos a tipografia para outros países fora do continente europeu, como foi o caso da primeira tipografia da Abissínia, desenvolvemos a medicina no Oriente como aconteceu em Goa, interviemos na modernização do observatório astronómico de Pequim, em ambos os casos através da acção da Companhia de Jesus, introduzimos na Europa plantas e frutos aqui completamente desconhecidos, etc., etc..

Se tudo isto não merece investigação e reflexão, então estamos a deixar perder irremediavelmente as lições duma experiência única, das suas razões, do seu dinamismo e muito principalmente da força anímica que a impulsionou.

A imagem, a ilustrar o apontamento, transcrevo-a de “História dos Descobrimentos – Uma Odisseia Fascinante”, edição de 2018, do Dr. Carlos Calinas Correia. Trata-se de um mapa que nos dá conta da Expansão marítima portuguesa nos séculos XV e XVI.

 

Arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles

 

Desapareceu uma das maiores figuras do Portugal contemporâneo. Tive a honra de o conhecer e de lidar com ele nos primeiros tempos do Partido Popular Monárquico de que foi o fundador, encabeçando um grupo notável de intelectuais e de patriotas. Partido ecologista, municipalista, democrático, cooperativista, entre outras características que reflectiam bem o pensamento do arquitecto Ribeiro Teles.

A sua obra como arquitecto paisagista, sobretudo em Lisboa, foi e continua a ser marcante, pioneira e, em muitos aspectos, única.

Foi uma lufada de ar fresco, de tolerância e de bom senso, naqueles tempos após o 25 de Abril e depois, embora afastado do PPM, continuou a exercer uma influência construtiva e conciliadora na vida política portuguesa.

Paz à sua alma.

 

O Cooperativismo foi metido na gaveta?

 

Em 1961 e 1962 publiquei em “O Alcoa”, prestigioso jornal de Alcobaça, quatro artigos sobre o Cooperativismo e pouco depois transcrevi-os no opúsculo “Para uma Emancipação Económica e Social”. Em 1969 editei “Vamos Fundar uma Cooperativa”, série de artigos publicada noutro conceituado jornal regional, “A Voz do Domingo” de Leiria, entre 6 de Abril e 4 de Maio daquele ano. Em 1975 publiquei ainda um folheto sobre o mesmo tema “O que é e para que serve o Cooperativismo”.

Não obstante as limitações no associativismo, no regime anterior houve um certo desenvolvimento das cooperativas, sobretudo nas de consumo e nas agrícolas, particularmente as Adegas Cooperativas, o que fazia acreditar que num regime democrático elas viessem a ter uma expansão relevante. Infelizmente isso não aconteceu. O movimento cooperativo quase estagnou.

Repito: embora o Estado não possa envolver-se e muito menos intrometer-se no sistema cooperativo, pode ajudá-lo indirectamente beneficiando-o tributariamente e dando-o a conhecer nos vários graus do Ensino, aliás como o associativismo duma maneira geral.

O Cooperativismo é o sistema económico-social que melhor se coaduna com a moral evangélica e aquele em que melhor se poderá alicerçar a Democracia que não basta ser política, tendo de assentar também as suas bases no acesso de todos aos bens da Terra, à sua partilha e à sua administração.

Para algum leitor que esteja interessado, ainda disponho de meia dúzia daqueles opúsculos que poderei ceder gratuitamente.


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