Francisco Oliveira Simões

Crónicas do Passado

D. Ramiro II

D. Ramiro II começou a governar no ano de 931, sucedendo a seu irmão D. Afonso IV, o Monge, que reinou apenas seis anos. D. Ramiro II era filho do Rei das Astúrias e de Leão, D. Fruela II, e irmão de D. Garcia. D. Afonso IV teve um reinado muito ligado a conflitos internos, decidindo renunciar ao poder régio, delega o governo a D. Ramiro II, e entrega-se a uma vida eclesiástica.

É importante referir que D. Afonso era irmão por afinidade, pois foi criado por D. Fruela II, seu tio, após a morte do seu verdadeiro pai, D. Ordonho II, Rei da Galiza. Pouco depois decide levantar armas ao irmão, armando uma escaramuça com D. Ramiro II, na qual lhe foram arrancados os olhos, impossibilitando que combatesse, tendo morrido dois anos e sete meses depois. Foi durante esta guerra civil que D. Ramiro II decide autoproclamar-se Rei de Portucal, tornando-se assim no primeiro monarca do nosso Reino, dando-lhe independência por um curto espaço de tempo.

Aproveitando esta desordem familiar, os muçulmanos decidem invadir e saquear vilas e cidades pouco defendidas, conseguindo até conquista-las, como foi o caso de: Lamego; Bragança; e Porto. Esta invasão foi levada a cabo pelo Rei mouro de Córdova, Abderramen III, que governava do Douro até ao Tejo, excluindo algumas povoações cristãs que resistiam. O maior comandante do exército do Rei de Córdova era Alboazer Ibn Alboçadam, filho de Alboazan Candancada, e neto de Abdelaziz.

D. Ramiro tinha um forte aliado, de seu nome D. Fernão Gonçalves, filho de D. Gonçalo Nunes, e neto de D. Lain Calvo. Juntos combateram em Toledo, no ano de 932, conseguindo conquistar a Cidade de Madrid. É durante esta época que decorre a lenda de Miragaia.

No ano seguinte Abderramen III invade Castela, para se vingar da perda de Madrid, levando consigo um exército africano, comandado pelo Capitão Almaçor. Esta investida foi gorada pelo exército de D. Ramiro, na cidade de Osma.

Após esta memorável batalha, rebaixaram o Rei de Saragoça, que vendo a derrota do seu aliado Abderramen III, desiste e rende-se. No ano de 934, algo de incomum e prodigioso aconteceu, o sol perdeu a luz durante dois meses. Os cristãos ficaram horrorizados, mas numa noite a aurora de novo surgiu. Os sacerdotes diziam que aquele acontecimento se tratava de castigo divino, pelos pecadores cristãos.

Por outro lado os mouros consultaram astrólogos e feiticeiros, desses surgiu Alfarami, que explicou a Abderramen III que aquele milagre da natureza fora infringido aos cristãos, devido à sua vida errante. Previu ainda que os reinos católicos viveriam na escuridão até à eternidade, e que as estrelas cairiam sobre eles.


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