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D. Pedro, o Infante das Sete Partidas

Nascido a 9 dezembro de 1392, em Lisboa, D. Pedro é conhecido pelos historiadores como um ilustre infante que caiu nos “infortúnios da intriga”. Filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, recebeu esmerada educação, tendo aprendido latim, leis e ciências.

Devido à sua ação junto do seu pai e irmãos na conquista de Ceuta, foi agraciado com o Ducado de Coimbra, tendo-lhe sido atribuídas as terras do Baixo Mondego até à faixa litoral de Aveiro.

Em 1425, partiu em viagem, circulando até 1428, pelos grandes centros políticos, económicos e culturais europeus da época.

Com o cognome “Infante das Sete Partidas”, aproveitou para, durante este período, atualizar os seus conhecimentos, procurando soluções inovadoras para os problemas do seu país. Estabeleceu relações com as coroas internacionais, tendo negociado o seu casamento com Isabel de Urgel (filha do Conde da Catalunha), com quem teve sete filhos.

Promoveu ainda o matrimónio de sua irmã Isabel com a coroa de Borgonha. Nestas viagens, terá ainda apurado o seu sentido cultural, adquirindo o livro de Marco Polo (que continha informações sobre a China e suas riquezas) e um mappa mundi com o traçado das principais rotas comerciais com o Oriente.

Regressado a Portugal, Pedro estabeleceu-se no seu Ducado, contribuindo para o desenvolvimento económico e social daquela região. Compôs o seu livro “O Tratado de virtuosa benfeitoria”, onde expõe estratos sociais do reino, tendo traduzido obras de autores latinos.

 Após a morte do rei D. Duarte, D. Pedro, seu irmão, assumiu o trono junto com a viúva, a rainha D. Leonor (o príncipe herdeiro, Afonso V, ainda era menor de idade). Pedro rapidamente se apressou a dominar a coroa, com apoio dos seus irmãos e elementos da nobreza. Durante a sua regência, o Infante D. Pedro concedeu os primeiros subsídios à exploração do Oceano Atlântico e impulsionou a continuidade das obras do Mosteiro da Batalha.

Em 1446, entregou o reino ao seu sobrinho Afonso V de Portugal que, influenciado pelos nobres desafetos dos ideais do antigo regente (encabeçados pelo seu tio bastardo Afonso -Duque de Bragança), exigiu o afastamento total do governo do reino ao Infante D. Pedro. Esta ação viria a culminar na Batalha de Alfarrobeira (20 de maio de 1449) que resultou na morte do Infante.

Por ter sido considerado traidor, o seu corpo terá sido alvo de ritual de desonra, sendo sepultado três dias após a sua morte. Foi graças à ação da sua filha, a esposa do rei D. Afonso V, que, mais tarde, foi trasladado para o seu túmulo, na Capela do Fundador do Mosteiro da Batalha, recebendo a insígnia “Desir” - desejo (em representação do seu desejo em governar o reinado).

Este é pois, mais um infante da ínclita Geração, cujos restos mortais estão sepultados no Mosteiro da Batalha e a quem nos temos dedicado nesta coluna. Reforça-se a proposta de vista à Capela do Fundador do Mosteiro, assim que possível, e também ao MCCB, com o convite a conhecer mais sobre a sobre a riqueza patrimonial do nosso concelho.

Fontes:

Ramos, R; Sousa, B; Monteiro, N: História de Portugal -8.ª Edição: Esfera dos Livros; 2009

Mattoso, J. Sousa, A: História de Portugal - Vol Ii; Círculo de Leitores; 1993


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