A Opinião de António Lucas

Ex-presidente da Câmara da Batalha

Covid-19: temos que alterar procedimentos e atitudes

Os números de infeções e o número de fatalidades tem vindo a crescer exponencialmente, obrigando o Governo, tarde e a más horas, a tomar medidas drásticas, como é o caso do confinamento, agora anunciado pelo primeiro ministro.

A situação é grave, apresentando Portugal números ao nível dos piores do mundo. A doença é grave e temos que alterar procedimentos e atitudes de forma a conseguirmos inverter a tendência atual. E temos que ser todos a puxar para o mesmo lado, porque este vírus é mesmo perigoso. Não devemos esquecer que para o SNS ter capacidade de resposta aos muitos doentes Covid outros ficarão para trás e mazelas, que tratadas em tempo útil seriam ultrapassáveis com menos dor, acabam por se transformar em doenças graves. Desta situação só iremos ter consciência mais tarde, mas não tenhamos dúvidas que será também muito dolorosa e trará mais problemas para cima dos muitos que assolam o SNS, mas especialmente a vida dos portugueses.

Continuo a repetir, com conhecimento prático de causa, que temos um SNS de excelência, com algumas situações a correrem mal por incompetência e desleixo, que confirmam a regra é que têm e devem ser corrigidas.

A ministra da saúde sentiu-se na obrigação de fazer um despacho a suspender parte das atividades correntes dos hospitais, para se dedicarem ainda mais à Covid, com graves consequências futuras, mas será que havia alternativa? Será que existe mesmo fundamentalismo em relação aos privados? Esperemos que não.

O país e os cidadãos não merecem ser mal tratados.

Com este novo confinamento, vamos ter muito mais gente em teletrabalho, a começar pelos funcionários públicos. Aquilo que se pede novamente é que dignifiquem o trabalho que desenvolvem e respeitem os cidadãos e as empresas que lhes pagam o ordenado, respondendo em tempo útil às suas solicitações. Teletrabalho não é para desligar o telefone e ir de férias. Teletrabalho é trabalho, até porque o salário é pago por inteiro.

Ao longo do anterior confinamento, fomos confrontamos com serviços públicos em que nem os telefones eram atendidos. Será que esses serviços públicos achavam que o vírus também podia transmitir-se pelo telefone? Fiquem tranquilos, não se transmite pelo telefone.

Vamos todos contribuir para que o mais rapidamente possível possamos regressar a vida que tínhamos em 2019, mantenhamos e respeitemos o afastamento físico, usemos máscara, higienizemos as mãos com frequência e fiquemos em casa sempre que não tenhamos que sair de casa, para nos protegermos, para protegermos as nossas famílias, os nossos familiares, amigos, colegas.

Até porque quanto mais tempo demorar a ultrapassarmos esta pandemia, mais doloroso será para a saúde de todos e também para a economia, com situações muito dolorosas para muitos, que acabarão por custar a todos, com o aumento brutal da dívida que já é enorme.

Vamos todos ajudar a sair mais rápido desta situação grave em que vivemos.

 


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