A Opinião de António Lucas

Ex-presidente do Município da Batalha

Covid-19 e a economia

Em primeiro lugar, temos que continuar a cumprir com as orientações das entidades oficiais, ficando o máximo de tempo possível em casa e saindo apenas no estrito cumprimento da Lei do Estado de Emergência, evitando ajuntamentos, aglomerações e mantendo sempre a chamada distância de segurança de dois metros.

Se todos assim fizermos, contribuiremos decisivamente para a nossa saúde e para a saúde da nossa família, amigos, conhecidos, conterrâneos, vizinhos, em suma contribuiremos para a boa saúde dos batalhenses, leirienses e portugueses em geral.

Se assim fizermos, iremos contribuir decisivamente para que o SNS não entre em colapso, porque nós não merecemos, mas os médicos, enfermeiros, assistentes operacionais e restante pessoal da saúde, ainda merecem menos, porque têm trabalhado e vão continuar a trabalhar intensamente em prol da nossa saúde e para em conjunto ganharmos esta grande batalha.

Muitas vezes com poucos meios têm feito verdadeiros milagres, sendo obrigação dos cidadãos em geral reconhecerem esta verdade, que é também muito justa. As exceções que sempre existem em tudo servem apenas para confirmar a regra.

Os políticos, não raras vezes, não só não ajudam como complicam, não decidindo e dando informações incorretas, mas adiante, porque este é o tempo da luta intensa contra o vírus, porque este é o inimigo.

Fiquemos em casa e assim iremos sair desta pandemia, continuando o nosso SNS a cumprir bem a sua função.

Depois desta pandemia passar, muitas coisas não ficarão mais como eram, outras demorarão muito tempo a recuperar, sendo uma destas, a economia.

Esta crise irá provocar uma enorme recessão, com taxas de desemprego brutais (veja-se o que aconteceu nos EUA apenas em duas semanas, mais 10 milhões de desempregados), com muitos pequenos negócios a encerrarem, com micro, pequenas, médias e grandes empresas a tremerem, outras a não aguentarem o embate, com uma enorme quebra de rendimento para as famílias e com um significativo aumento do endividamento público e privado.

Logo, aumento de impostos, por via das necessidades de financiamento do Estado, tudo isto com consequências em termos de qualidade de vida dos cidadãos. Será que deste feita, quer o nosso Estado, quer a União Europeia, vão olhar menos para o umbigo e olharão mais para os cidadãos? Espero que deste vez seja diferente.

Mas a capacidade de endividamento deve existir e deve ser utilizada para investimento reprodutivo, como é o caso do apoio às empresas e famílias, quando elas mais necessitam, para que assim e o mais rapidamente possível retornem à situação de crescimento económico, anterior a esta pandemia.

Porque é que defendo e sempre defendi o endividamento equilibrado e razoável? Para termos margem para responder a emergências. Isto tanto se aplica aos nossos orçamentos pessoais, como aos orçamentos municipais ou ao orçamento do Estado.

Os últimos anos foram de crescimento económico e de acumulação de meios por parte das entidades públicas, Estado e autarquias. Este é o momento de retribuírem aos cidadãos e às empresas, reduzindo impostos, taxas e custo de serviços, emagrecendo um pouco as enormes gorduras que ainda existem, para que os cidadãos e as empresas, quem efetivamente gera valor e riqueza, possam dentro de algum tempo retomar essa geração de riqueza e de valor para todos.

Só assim será também possível manter e até melhorar o nosso SNS, até porque para os que nos defendem e protegem a todos na linha da frente (médicos, enfermeiros, restante pessoal, bombeiros, misericórdias, outras IPSS, PSP, GNR, Proteção Civil, etc ) é o mínimo que lhes devemos oferecer.


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