Olga de Sousa e Silva

Médica interna de MGF na USF Condestável, Batalha

COVID-19 e as crianças

O coronavirus é um tema atual e é importante que se adote uma postura que ajude as crianças a lidar com esta situação e lhes transmita segurança.

As crianças podem infetar-se?

Sim, as crianças podem infetar-se, geralmente com uma infeção assintomática ou uma doença ligeira. Em casos raros podem ter uma doença mais grave. Estudos revelam que as taxas de eliminação do vírus é mais lenta nas crianças, o que leva a que possam ser transmissoras por mais tempo.

E quais são os sintomas da Covid-19 nas crianças?

A infeção Covid nas crianças pode ser diferente dos adultos. Os sintomas variam entre: congestão nasal, tosse, dor de garganta ou dificuldade em respirar; diarreia, cólicas, náuseas ou vómitos, principalmente nos mais jovens; dor muscular e articular e cansaço extremo; febre e dor de cabeça são comuns; a perda do paladar e do olfato são incomuns em crianças mais novas e mais frequentes em adolescentes; alterações cutâneas aparecem raramente.

Como proteger os meus filhos?

O uso de máscaras é obrigatório a partir dos 10 anos, mas recomendado a partir dos três anos. Esta é sem dúvida a medida mais eficaz na proteção contra o Covid-19. Se viver com alguém positivo, a criança deve usar a máscara também dentro de casa, devendo esta ser retirada, apenas quando sozinha numa divisão da casa não compartilhada.

O distanciamento social, é talvez a medida mais difícil de cumprir nas crianças, por isso, a melhor maneira de cumprir o distanciamento é sempre, ficar em casa.

Já a lavagem das mãos seguida da sua higienização com álcool gel é uma medida fácil e eficaz. Não convém ainda descurar a vigilância por parte dos adultos para garantir a segurança e eficácia dos procedimentos. De lembrar que mãos sujas, higienizadas com álcool gel, vão continuar sujas e contaminadas.

Nas crianças mais novas, a partilha de objetos contaminados (ex: material escolar) pode ser um problema. Cabe aos pais educar as crianças para a consciencialização deste tipo de comportamentos.

E se o risco de contágio é sempre lembrado, outros riscos menos abordados são a ansiedade e o medo. Os pais devem esclarecer dúvidas, dar apoio emocional e transmitir calma na abordagem deste tema, proporcionando um ambiente de abertura à criança, transmitindo informações claras, sucintas e honestas, sem minimizar os seus medos e anseios. Esteja atento a alterações no sono ou no comportamento da criança e se necessário recorra à ajuda do seu médico de família e questione-o numa próxima consulta.


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