Célia Ferreira

AMHO A Minha Horta

Como enganar um bando de corvos

 

Vivemos momento atípicos, andamos de cara tapada, o que me faz alguma confusão, e o distanciamento social persiste, o que aumenta o sentimento de solidão nalgumas casas.

Também há quem se queixe de não ter nada para fazer. Ora quem tem uma horta, sabe que tal nunca acontece, pois ela necessita de cuidados permanentes.

Os que se sentem mais sós podem aproveitar a companhia da natureza que nos rodeia. Na Batalha, de onde vos escrevo, temos imensos locais maravilhosos para aproveitar. Não se acomodem, saibam apreciar a natureza que ela nunca vos falhará, mesmo que em alguns momentos nos ponha à prova.

Por estes dias, e aqui no nosso quintal, já se vão provando os primeiros legumes do verão, e as primeiras colheitas têm sempre um sabor especial, porque foram semeadas e cuidadas por nós, com amor e carinho como diz o meu mais novo, sabem sempre melhor.

Não uso herbicidas e, como tal, o meu quintal é abundante em ervas de todo o género. Nas zonas selvagens vou deixando ficar assim e em troca tenho muitas abelhas e pirilampos, a ambos agradeço a sua presença.

As abelhas ajudam a que todas as flores se transformem em frutos, e as larvas de pirilampos ajudam a manter a população de caracóis controlada. Podem ver a foto de uma deles na Internet usando este link: https://bit.ly/30A5yYY

Junto às hortícolas que pretendo manter vou arrancando as ervas à mão e depois deixo-as a devolver à terra o que lhe retiraram, ou coloco-as numa vasilha com água que depois uso para regar, ou ainda deixo-as secas junto aos pés das plantas para se irem degradando e adubando. Mas sempre com o principio de que todas terão a sua utilidade. Por exemplo, no outro dia vi um senhor despejar no contentor as sobras das faveiras, que como são ricas em azoto poderiam ter ficado na horta a adubar a terra.

Acontece o meu quintal ter um bando de corvos por perto, que me andavam a comer os ovos das galinhas. Era ver quem chegava primeiro para os colher, eles ou eu. Resolvi colocar junto do galinheiro um pássaro de enfeitar, feito de madeira que tinha para aí abandonado e já passaram 15 dias e ainda continua a manter afastado os dito cujos, até quando não sei, pois os corvos são animais muito inteligentes, mas nós também somos.

Se costuma semear as suas próprias sementes, por vezes parece que elas não se desenvolvem com a robustez que mais gostaria. Aqui em casa uso dar-lhes uns batidos de plantas (cascas de maçã ou banana-potássio + beterrabas – ferro + leguminosas - azoto + cascas de ovos ou folhas de couve – cálcio + labaças – nutrientes diversos ) trituro com alguma água e depois rego as plantas de 15 em 15 dias com um pouco deste preparado, quanto mais diversidade de plantas melhor, e em vez de procurar solução fora, encontro-a na própria natureza.

Hortícolas para semear e/ou plantar ao ar livre: abóboras, acelgas, agriões, aipo, alfaces, alho rancês, batata doce, beringelas, beterrabas, beldroegas, beterrabas, brócolos, cebolinha francesa, cenouras, coentros, couves-flôr, couves-repolho, couve-rábano, courgetes, endivias, espinafres, feijões diversos, malaguetas, melancias, meloas, melões, milho, nabos, pepinos, pimentos, physalis, salsa, tomates, rabanetes, rúcula.

Jardim, semear e/ou plantar: begónias, calendualas, gipsofilas, goivos, miosótis, prímulas.

Se soubermos observar e aprender com a natureza, teremos muito a aprender.

Na horta cultivamos alimentos e sentimentos!

Boas colheitas.


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