Comendador José Batista de Matos - Paris

Carta de Leitor

Chaga permanente no mosteiro

O senhor presidente da Câmara da Batalha, inimigo natural do Muro de Berlim, o do diferendo entre as duas alemanhas, divulgado felizmente com ênfase como um crime contra a paz e a concórdia, refletiu em erguer também um muro, não de Berlim, mas da Batalha, em frente ao Mosteiro de Santa Maria da Vitoria, património da humanidade.

Isto por causa da estrada construída, após a demolição em 1966 da urbanização realizada depois da construção do monumento, mais um crime que Salazar e os seus fizeram.

Não podemos de maneira nenhuma esquecer sítios e casas, monumentos, nomeadamente a escadaria da Pensão da Ti Romana, verdadeira peça artística que os ignorantes da época levaram até ao fim, roubando a arte, a história e a beleza da construção junto ao mosteiro.

Estes episódios negros e nefastos que envergonham a arte e a criação continuam, infelizmente, séculos depois.

Hoje, janeiro de 2018, o tal “Muro de Berlim” como lhe chamou uma batalhense ilustre, livre e responsável, senhora do antigo comerciante A. Barros, na televisão pública de Portugal, merece que nos debrucemos sobre o assunto, pois será uma chaga permanente no Mosteiro da Batalha, na vila e em Portugal.

A ânsia que a autarquia nutre para realizar construções e reconstruções, concentradas na sede da vila, desvaloriza a arte, a história e a cultura das diversas aldeias das quatro freguesias do concelho.

Foi uma escolha visível da nova municipalidade, sob a orientação do senhor presidente Paulo Batista Santos. E pena, pois ao contrário não teria realizado o tal “Muro de Berlim”, que tem feito falar milhões de portugueses via RTP internacional.


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