Joana Magalhães

Pestanas que Falam

Cérebro cansado, pensamento feliz (?)

Muitas vezes dou conta de que, hoje em dia, o cansaço está associado ao sucesso. Quantas vezes se ouve a frase "estou cansado, mas feliz!" ser pronunciada a um rosto com olhos cansados e sorriso forçado? Quantas vezes se sonha com um dia de pijama no sofá, mas imediatamente se associa isso a um "dia desperdiçado"?

Tenho a certeza que já todos nós, em correria, encontrámos um amigo na rua a quem, ofegantes, dissemos "tenho andado a mil"! E logo a seguir desculpamos a falta aos encontros com os dias preenchidos por tarefas que vêm ter connosco.

E tudo isso parece ser um sinal de grande sucesso, de vida ocupada, de quem é sempre preciso. E julga-se por isso que se está no caminho certo, que a vida é assim, que todas essas responsabilidades devem estar à frente do lazer e que isso é o sucesso.

Mas como o que tudo é demais faz mal, também cansa. E o cérebro cansa-se e o corpo também. Ter sucesso não é ter "mil" tarefas. Ter sucesso é precisamente saber que essas tarefas só podem ocupar o espaço em que não estamos com quem gostamos, a fazer o que gostamos e a dar de nós o que gostamos.

E saber também que quando nos dizem "estou cansado, mas feliz!" estão decididamente mais cansados do que felizes e o que precisam mesmo é de saber que nem tudo tem de ser feito, nem tudo tem de ser cumprido. E uma tarde no sofá está tão perto da felicidade como uma promoção, um prémio e um dia com quem se gosta. Ou não?

 

 


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