José Travaços Santos

Baú da Memória

Celebrar o Padre António Vieira e recordar as nossas Caravelas

Neste tempo estranho e inesperado, que estamos a viver, dois factos, entre vários, chamaram-me particularmente a atenção e despertaram-me para a necessidade, que é premente, de analisar com cuidado redobrado, o que se passa à minha volta, numa altura em está em curso a “diabolização do homem branco” como disse o Historiador Doutor João Pedro Marques, em entrevista concedida ao Jornal “SOL” de 20 de Junho último.

O primeiro foi o da vandalização duma estátua do Padre António Vieira, uma atitude em que se revelou apenas fanatismo, ódio e ignorância. Evidentemente que quem saíu diminuído deste crime não foi a figura do padre António Vieira mas quem o perpetrou. O segundo foi o da destruição duma caravela por altura dum colóquio sobre os Descobrimentos na Universidade Nova de Lisboa, conforme revela o citado entrevistado.

O Padre António Vieira é um dos vultos maiores do Espírito Português, quer no plano cultural quer no moral. Considerado por Fernando Pessoa o “Imperador da Língua Portuguesa”, o que quer dizer seu expoente máximo, cultivou no século XVII com excepcional brilhantismo o nosso Idioma, alicerce e veículo da nossa Cultura, e foi dando subtis recados aos poderosos sobre a arte de governar com humanitarismo cristão, ao mesmo tempo que defendia, acarretando perigos para si, a causa dos indígenas brasileiros e de tal forma que evitou que fossem escravizados.

A Caravela portuguesa é o resultado do nosso avanço na técnica naval do século XV. Os nossos antepassados adaptaram, revelando extraordinário espírito inventivo e com um espantoso conhecimento de “novos mares, dos novos céus e dos novos ventos”, uma barca mediterrânica que, aproveitando ventos e correntes, bem diferentes dos mediterrânicos e inclusivamente dos do Atlântico Norte, levou um Povo de pouco mais de um milhão de habitantes até ao Cabo da Boa Esperança, que dobrou ao encontro do Índico, epopeia que só o Português pode celebrar.

Uma curiosidade, mas que muito diz da nossa inventiva, este pequeníssimo navio oceânico, era o único no mundo em que se “usava o sobro e o azinho no cavername, por serem madeiras resistentes à água…”. (Contra-almirante Rogério d’Oliveira, em “NAUS, CARAVELAS E GALEÕES – Na iconografia portuguesa das Descobertas” – Quetzal Editores – 1993).

A imagem desta caravela foi extraída desta obra.


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