João Ramos

Fisioterapeuta

Capsulite adesiva do ombro

Na edição do mês de fevereiro aborda-se uma patologia do ombro que apresenta grande limitação funcional do paciente. A capsulite adesiva ou "ombro congelado" é uma doença de causa desconhecida. Por vezes os doentes associam o seu inicio a um episódio traumático; outros referem um quadro de dores ocasionais no ombro, que não limitavam as atividades de vida diária e que progressivamente se transformaram num quadro incapacitante.

A capsulite adesiva é mais frequente em indivíduos do sexo feminino entre os quarenta e cinco e os cinquenta e cinco anos de idade. Os doentes diabéticos ou com antecedentes de diabetes mellitus na família e pacientes com problemas da tiroide têm uma maior probabilidade de desenvolver capsulite adesiva.

Na capsulite adesiva ou "ombro congelado", um processo inflamatório dentro da articulação leva a uma diminuição progressiva do fundo de saco axilar, a um encurtamento de todos os ligamentos, à formação de aderências (pontes entre várias estruturas) e a um aumento da espessura da cápsula, a qual perde a sua distensibilidade. São estes factos que levam à principal característica desta doença que é a limitação da mobilidade passiva, sobretudo da rotação externa.

O diagnóstico da patologia deverá ser feito pelo médico especialista. Não há nenhum exame que ilustre a limitação da mobilidade passiva, característica principal desta doença. A radiografia é normal e a ecografia apresenta por vezes alterações inflamatórias dos tendões. A ressonância magnética pode mostrar alterações da cápsula articular compatíveis com esta doença e alterações inflamatórias ou estruturais dos tendões.

A maior parte dos doentes que observamos está na fase dolorosa já há alguns meses e tem francas limitações da mobilidade passiva e ativa que impedem uma vida com qualidade.

O tratamento tem como objetivo inicial a diminuição da dor e melhoria progressiva da mobilidade do ombro. A maior parte dos doentes já fez tratamentos com vários medicamentos sem sucesso.

O tratamento cirúrgico deverá ser feito apenas quando o tratamento conservador não apresenta bons resultados. O objetivo é, libertar sob visão direta a cápsula articular, obtendo uma mobilidade passiva praticamente normal. Contudo uma grande percentagem de pacientes com esta disfunção obtêm um ótimo resultado com tratamento de fisioterapia; a maioria dos doentes sem dores e com uma mobilidade praticamente completa. Se apresenta estes sinais e sintomas, consulte o seu médico e/ou fisioterapeuta.

 

 


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