Alfredo Martins

Internista e coordenador do NEDR/Sociedade Portuguesa da Medicina Interna

Cancro do pulmão: é melhor prevenir que remediar

O cancro do pulmão é, atualmente, a primeira causa de morte por cancro nos homens em Portugal, e a terceira no sexo feminino, atrás do cancro do cólon e do cancro da mama. Por ano são efetuados novos diagnósticos de cancro do pulmão em cerca de 5.730 homens e 1.430 mulheres, e morrem por esta doença aproximadamente 5.100 homens e 1.080 mulheres.

Mais de 80 por cento dos doentes com cancro do pulmão são fumadores ou ex-fumadores. O hábito de fumar e a exposição ao fumo ambiental é o principal fator de risco associado ao desenvolvimento de cancro no pulmão e este risco pode ser significativamente diminuído pela mudança de hábitos. A doença pode ser evitada numa enorme parcela dos casos com a redução do consumo ou da exposição ao tabaco. Em Portugal cerca de dois milhões de pessoas são fumadoras (perto de 1.33 milhões são homens e 680 mil são mulheres).

Existem ainda outros fatores de risco conhecidos que devem ser objeto de medidas de controlo específico: poluição atmosférica (fumos de escape diesel); exposição profissional (asbestos, pó de madeiras, vapores de soldagem, arsénico e metais industriais como o Berílio e o Crómio) e a poluição indoor (rádon e fumo do carvão).

Não sendo possível eliminar todo o risco, vai continuar a existir cancro do pulmão, e por isso temos que chegar ao diagnóstico da doença antes que esta se manifeste através dos sintomas, porque a identificação da doença em fase precoce aumenta muito a probabilidade de cura.

A tomografia computorizada torácica de baixa dose de radiação é o único teste de rastreio de cancro do pulmão que permite diminuir a probabilidade de morte por cancro do pulmão numa população com alto risco de desenvolver a doença. Este deverá ser realizado em centros capazes de identificar doentes com alto risco e com capacidade para diagnosticar e tratar o cancro do pulmão. Portugal tem condições para montar um programa de rastreio de cancro do pulmão com cobertura nacional e deve fazê-lo.

Se conseguirmos ser eficazes na prevenção e montar esse mesmo programa de rastreio com capacidade para rastrear todas as pessoas com alto risco de cancro do pulmão, poderemos reduzir a mortalidade por esta doença em cerca de 50 por cento em 15 anos. Isto significa que em 15 anos menos cerca de 3.000 doentes vão morrer por ano por cancro do pulmão.


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