Bombeiros fazem 40 anos e enfrentam críticas

As críticas ao sistema português de prevenção e combate, incluindo aos bombeiros, nomeadamente pelo especialista em incêndios Mark Beighley (EUA), foram refutadas no dia 22 de abril por intervenientes nas cerimónias do 40º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Batalha (AHBVB).

O presidente da assembleia geral da AHBVB, António Lucas, referiu que a associação “desenvolve serviços fundamentais para o bem-estar das populações”, ao contrário do que afirmam “algumas vozes que por vezes aparecem, como é agora o caso de um americano que em 2009 se lembrou que em 2017 haveria grandes incêndios em Portugal e que os bombeiros não sabem apagar incêndios”.

“Mas os nossos bombeiros sabem, a nossa realidade é que é diferente” daquela que Mark Beighley retratou, além de que “podia ter ajudado a resolver os problemas nos EUA, que tiveram incêndios bem que chegue no ano transato”.

António Lucas destacou a AHBVB como “uma grande associação do concelho, com a maturidade de 40 anos misturada com a juventude, o que é fundamental”. “A nossa associação tem tido capacidade para atrair jovens, que em conjunto com os menos jovens fazem uma excelente equipa”.

Por outro lado, frisou que “é importante que continue a haver formação, empenho, dedicação e esforço em prol da qualidade de vida dos cidadãos, ena qual os bombeiros têm um papel fundamental. Estão a trabalhar bem e isso é importante”.

“Desengane-se quem pensar que qualquer relatório dum qualquer perito coloca em causa a nossa competência, conhecimento e experiência adquiridas ano após ano”, referiu, por sua vez, o vice-presidente do conselho executivo da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Luís Lopes. “Nós continuamos presentes o ano inteiro, não é só em determinadas fases, e a única coisa que os bombeiros pedem é as devidas condições para exercerem a sua missão”.

Luís Lopes integrou uma delegação portuguesa que recentemente esteve aos EUA, “numa partilha de conhecimento e experiências com os serviços florestais e bombeiros americanos”. “A descrição dos incêndios que tiveram em outubro, tal como nós, fez a delegação portuguesa reviver o que passámos. Isto significa que em Portugal ou nos EUA o comportamento dos incêndios é diferente do que era há alguns anos. É diferente também a nossa preparação, competência, treino, formação e os nossos recursos”, explicou.

“Ao contrário do que muitos possam pensar, não nos colocamos em bicos dos pés a exigir medalhas, subsídios, veículos, equipamentos. Queremos é ter condições para desempenhar a nossa missão. Apenas e só isto”, frisou o vice-presidente do conselho executivo da LBP.

Na perspetiva do comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria, Carlos Guerra, “é em 2017 que temos de arranjar lições aprendidas para não se voltarem a repetir anos com o ano passado”. Nesse sentido, a Autoridade Nacional de Proteção Civil “tem feito um enorme esforço para resolver ou tentar minimizar problemas” existentes.

Segundo Carlos Guerra, “foi reforçado o dispositivo de combate” e, no caso do distrito de Leiria, alocado mais um helicóptero de ataque inicial, que fica baseado em Alcaria (Porto de Mós).

O comandante do CDOS de Leiria incentivou os novos bombeiros de 3ª classe “a que se revejam nos fundadores da corporação, alguns ainda no ativo. Se seguirem o seu bom exemplo, serão tão bons como eles”. E realçou que “o espírito de cumplicidade e compromisso” da comunidade batalhense, “simbolizado na entrega de equipamentos” à corporação, lhe ficou “gravado” na memória.

O presidente da câmara da Batalha, Paulo Batista dos Santos, à semelhança de outros intervenientes nas cerimónias, homenageou e reconheceu o papel das famílias dos bombeiros, sem as quais “não seria possível a energia, como aquela que sentimos nos bombeiros no ano passado para defender o território, salvar vidas e ajudar todos os dias quem precisa”.

O autarca elogiou os fundadores da associação e do corpo de bombeiros, agradeceu a todos os que serviram e servem a instituição, aos beneméritos e destacou o apoio dos autarcas da Batalha aos bombeiros, “como é sua obrigação”.

 

“A população do concelho pode contar connosco”

 

O comandante Fernando Bastos, que lidera mais de 100 voluntários, recordou a história da corporação, iniciada em 1978, e o caminho percorrido até hoje, “só possível porque grandes homens e grandes mulheres dedicaram a sua vida à nobre causa dos bombeiros”.

“A população do concelho e do país podem contar com os bombeiros da Batalha”, que vão “continuar a fazer a diferença pelo excelente trabalho que desenvolvem e que nos recentes incêndios de 2017 foi bem evidenciado e reconhecido pelas populações afetadas”.

Fernando Bastos agradeceu “a todos os bombeiros o esforço e dedicação, e às suas famílias a compreensão pelas suas ausências por vezes prolongadas, o apoio e a força que lhes dão para que continuem o seu trabalho de voluntariado”.

Por fim, destacou os novos meios ao dispor da corporação e às entidades que os ofereceram: viatura de combate a incêndios florestais (câmara municipal), veículo de transporte (Caixa Agrícola Batalha), moto 4 (Planalto Motor Clube) e um drone (Grupo dos Nascidos em 1977 de São Mamede). Na cerimónia, além destes veículos, foi também benzida uma ambulância INEM.

O presidente da AHBVB, Jorge Novo, prestou “homenagem a todos os bombeiros, mas em especial aos que permanecem desde a fundação da associação”, bem como às suas famílias”, e lembrou o importante trabalho desenvolvido pela Loja Social.

“A direção da associação continuará a estar atenta por forma a garantir as condições que nos permitam de uma forma rápida e eficaz responder às necessidades, solicitações e obrigações, que tem para com a população da Batalha e todos os que nos visitam”, garantiu.

Nesse contexto, reforçou o agradecimento aos beneméritos, e a todos aqueles que de alguma forma colaboram com a associação, já manifestado por outros intervenientes.

Na cerimónia esteve igualmente presente um representante da Federação dos Bombeiros do Distrito de Leiria, Hélder Sousa, que deu “os parabéns ao presidente da câmara pelo apoio que tem prestado aos bombeiros”.

A AHBVB foi criada no dia 16 de abril de 1978, com a realização da primeira assembleia geral para eleição de corpos gerentes. A atividade da instituição começou no dia seguinte, com as cerimónias do nascimento da nova corporação.


NESTA SECÇÃO

Batalha reclama abertura de aeroporto em Monte Real

A abertura da Base Aérea de Monte Real à aviação civil é “uma questão de bom senso” e “uma q...

Batalha e Trujillo reforçam relações em diferentes áreas

A equipa de juvenis masculinos de futebol da União Desportiva da Batalha (UDB) encerra este ...

"Campo de Batalha" oferece férias diferentes

Estão abertas as inscrições para o campo de férias católico designado “Campo de Batalha”, qu...