Município da Batalha MCCB (Museu da Comunidade Concelhia da Batalha)

Espaço do Museu

Boitaca - o mestre do século XVI que dá nome à ponte do século XIX

Diogo de Boytac, também referido como Diogo Boytac, Diogo Boitaca ou Diogo de Boitaca foi mestre e arquiteto, de provável de origem francesa, que deixou uma significativa obra em Portugal, durante o período manuelino.

Nascido, possivelmente no Languedoc, no sul de França, na segunda metade do século XV, o seu nome encontra-se referido pela primeira vez em 1498, num documento de D. Manuel I que lhe concedeu um subsídio anual pelo seu trabalho no Mosteiro de Jesus de Setúbal.

O mesmo rei chamá-lo-ia, mais tarde, para trabalhar no Mosteiro dos Jerónimos. Em Belém, o mestre deixou, através das primeiras traças do monumento, no início de 1500, alguns dos seus trabalhos mais conhecidos, dentro do estilo manuelino português. Com o título de "Mestre das Obras do Reino" foi encarregado de diversos outros projetos, entre os quais se destacam no mosteiro hieronimita de Nossa Senhora da Pena, em Sintra, e as obras do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Aponta-se ainda a sua intervenção nas melhorias da Ponte de Santa Clara sobre o rio Mondego.

Boitaca terá realizado alguns trabalhos em África, ainda no início do século XVI, nomeadamente na fortificação de Mamora (Marrocos) e na avaliação de obras nalgumas praças daquele continente.

Na Batalha, supõe-se que terá contribuído na produção de parte do ciclo manuelino do Mosteiro, nas Capelas Imperfeitas. Trata-se, todavia, de uma informação incerta.

Sabe-se, sim, que colaborou na edificação da Igreja Matriz da Batalha, cuja obra se iniciou em 1514, por iniciativa de D. Manuel I, em resposta ao pedido da população que desejava uma igreja paroquial. É ao Mestre Boitaca que se deve a autoria do portal manuelino do templo, evidenciada pela sua inicial “b” esculpida na pedra calcária. Inscreve-se também no portal a data 1532 que assinala o termo da construção da Igreja.

Mestre Boitaca estabeleceu-se na Batalha, tendo casado, em 1512, com Isabel Henriques, filha de Mateus Fernandes, importante arquiteto do mosteiro. Boitaca teria uma quinta no local onde está erigida a Ponte da Boitaca, construção neogótica iniciada em 1862, no reinado de D. Luís, e que servia a ligação da antiga Estrada Real Portuguesa.

O nome da ponte presta, assim, homenagem ao mestre que terá vivido naquela zona da Batalha.

 Boitaca faleceu 6 de dezembro de 1525, na Batalha. Parte da sua lápide sepulcral, feita de calcário, pode ser vista em exposição no MCCB, enquadrada na memória da antiga igreja de Santa Maria-a-Velha, de onde é proveniente o fragmento.

 

Fontes web: http://fortalezas.org/; https://www.oxfordreference.com/

 


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