Sónia Marques de Almeida

Médica interna de Medicina Geral e Familiar, USF Condestável, Batalha

Beba café, mas com moderação!

Desde a sua descoberta, o café tem ocupado um lugar de destaque na alimentação Mundial, sendo uma das bebidas mais apreciadas e consumidas ao longo dos séculos. Em Portugal, cerca de 80% da população é consumidora de café.

O café é uma mistura complexa de milhares de componentes químicos, mas é a cafeína, o seu principal componente, que deu popularidade ao café.

Segundo a Food and Drug Admnistration, o consumo moderado de 3 a 4 chávenas por dia (300-400mg/dia de cafeína) não apresenta riscos para a saúde em adultos saudáveis.

O consumo moderado de café tem sido associado a reduções no risco de desenvolver certas doenças crónicas, nomeadamente doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, determinados tipos de cancro, doença de Alzheimer e doença de Parkinson. A sua toma melhora a capacidade cognitiva e psicomotora dos consumidores. Devido ao seu efeito psicoestimulante, a cafeína melhora o humor e a disposição, sendo por isso benéfica a sua toma em casos de depressão. Também já foi demonstrado que a toma de doses moderadas de café ajuda na prevenção da formação de cálculos renais e que tem um papel protetor na prevenção de cirrose hepática.

Já a relação entre a toma de café e a hipertensão, os estudos são bastante dicotómicos. A maioria dos estudos afirma que a toma de café pontual eleva os valores da pressão arterial mas, com o consumo crónico de café, adquire-se tolerância aos efeitos deste. Apesar de ainda não ter sido provado que o café é prejudicial em doentes hipertensos a sua toma é desaconselhada neste grupo de doentes.

Em certas patologias do trato gastrointestinal, nomeadamente na doença do refluxo gastro-esofágico, a sua toma também está desaconselhada. Ainda não há estudos que mostrem relação entre o consumo de café e a doença ulcerosa péptica.

É importante realçar que existem grupos mais suscetíveis aos efeitos do café e, por esse motivo, a sua toma é desaconselhada (nomeadamente em crianças, idosos e gravidas).

Apesar dos imensos estudos existentes sobre o café e devido à sua complexa composição química, muitos dos seus efeitos ainda não estão totalmente esclarecidos. No entanto, considera-se que a ingestão moderada de café não acarreta problemas para a saúde em indivíduos saudáveis. Contudo, se o seu consumo for excessivo, podem surgir diversos efeitos negativos, nomeadamente taquicardias, palpitações, insónias, ansiedade, cefaleias e perda de massa óssea.


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