Batalha critica restrições “nefastas” ao uso do mosteiro

A Assembleia Municipal da Batalha (AMB) está “preocupada” com a eventual interdição de atividades no Mosteiro da Batalha, “com consequências nefastas para o trabalho colaborativo a desenvolver” pela Direção-Geral do Património Cultural, direção do monumento e Câmara municipal.

Nesse sentido, a AMB decidiu por unanimidade expressar ao Governo a sua “forte preocupação e elevada reserva face às recentes declarações” do ministro da Cultura, na sequência da polémica causada pelo jantar de encerramento da Web Summit, no Panteão Nacional.

“Existem no edifício [mosteiro] espaços sem qualquer significado consagrado, como o Claustro Afonso V, que tem dois pisos, que se encontram despojados de quaisquer referências memoriais”, suscetíveis de ser utilizados em diversas iniciativas, refere o documento aprovado pelos deputados, citado num comunicado divulgado esta terça-feira, 28, pela câmara municipal.

A AMB reconhece, no entanto, que o “mosteiro engloba espaços com forte simbolismo e que devem naturalmente ser valorizados e mesmo condicionados no seu uso, como a Sala do Capítulo, a Capela do Fundador ou a Capela Mor”.

Os deputados “enaltecem” as realizações de âmbito cultural, científico e académico que o mosteiro tem recebido nos últimos anos, “contribuindo para a sua projeção nacional e internacional, que poderão estar em causa”.

Por isso, afirmam que “as restrições no uso dos panteões nacionais devem excluir os espaços destituídos de qualquer relevância memorial ou fora de espaço de sacralização”.

O documento alerta ainda para os diversos protocolos e contratos de parceria existentes, que devem ser salvaguardados no âmbito da revisão do regulamento de utilização destes espaços, e para o cumprimento integral dos protocolos efetuados no âmbito do Centro 2020, para se evitar a perda de fundos europeus.

Numa entrevista ao jornal Expresso, o Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, afirmou que pretende restringir “os três panteões a utilizações festivas e qualquer serviço de refeições ou catering”. Na mesma entrevista, o governante defende que os valores das tabelas de aluguer são muito baixos e serão aumentados.


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