A barreira acústica: antes e depois

Quando, no século XIV, se deu início à construção do Mosteiro de Santa Maria Vitória, bem longe se estava de pensar nos problemas que o monumento viria a enfrentar séculos mais tarde.

A pedra que o eleva, proveniente do Maciço Calcário Estremenho, apresenta, hoje, as marcas do tempo. Mas foi o século XX que acelerou a degradação do estado de conservação do monumento. No enquadramento da política patriotista do Estado Novo, o antigo casario adjacente ao Mosteiro foi destruído para dar lugar a praças espaçosas. Pretendia-se que habitantes e visitantes pudessem contemplar, a maior distância, o monumento que evoca a vitória na Batalha de Aljubarrota. A estas obras, juntaram-se estradas para facilitar as ligações a outros polos de atracão turística, nomeadamente Fátima. Construi-se ainda a estrada nacional EN 1 frente à fachada do mosteiro, permitindo aos automobilistas a possibilidade de vislumbrar o monumento ao circular à sua frente.

Boa parte destes trabalhos foi inserido no programa de desenvolvimento urbanístico da vila. Apesar das boas intenções do projeto, o trânsito na EN 1 tornou-se mais intenso. Hoje, circulam, em média, 20 mil viaturas frente ao monumento, das quais mais de 50% são veículos pesados. O movimento tem acelerado a degradação da pedra calcária, aumentando os valores de ruído e vibração permitidos por lei.

Um relatório realizado na zona envolvente do mosteiro, no âmbito do Regulamento Geral do Ruído, (D.L. 9/17 de janeiro, 2007), referia que “em alguns espaços abertos do seu interior, os parâmetros Lden e Ln, descritor das 24 horas e descritor noturno, não cumprem os valores”.

Com a missão de implementar medidas urgentes e eficientes na redução dos impactos causados pelo ruído, trepidação e dióxido de carbono e, após diversas reuniões técnicas, o Município da Batalha deu início à obra de salvaguarda, numa operação que envolveu vários parceiros, nomeadamente a Direção Geral do Património Cultural, a Direção Regional de Cultura do Centro, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, as Infraestruturas de Portugal e a Direção do monumento.

O projeto contempla 12 painéis verticais insonorizadores, intercalados com vidro. A estrutura está envolvida numa intervenção maior, que inclui um jardim, área de relvado, mobiliário urbano e uma ecovia.

Após a intervenção, realizaram-se novas medições de ruído no Mosteiro da Batalha e zonas adjacentes, pelo Laboratório de Ruído e Vibrações. O estudo, feito em agosto de 2018, indica um decréscimo sonoro entre 9 e 10 decibéis (A), relativamente aos valores registados antes da construção. No que toca às vibrações, o mesmo Laboratório concluiu que atualmente “as vibrações, de caracter continuado, registadas durante o ensaio realizado, provocadas pelo tráfego rodoviário no IC2/N1, apresentaram valores de vibração inferiores aos valores limite máximo estabelecidos pela norma DIN 4150-3, pelo que não há risco de dano no edifício decorrente da estrada”. 

A redução sonora verifica-se principalmente no espaço frontal do mosteiro, mas tem repercussões positivas em toda a envolvente, promovendo um ambiente mais silencioso e adequado à atividade desenvolvida no local.

Esta e outras medidas em análise permitem que cerca de um milhão de visitantes (estrangeiros, nacionais, estudantes), e a comunidade usufrua com mais qualidade da sua permanência na vila da Batalha, sensibilizando-se para a importância da preservação do nosso património.


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