Joana Crispim

Mestre em Psicologia Clínica e formada em Hipnose

Automutilação: quando a dor física acalma a emocional

A prática de automutilação detém uma maior prevalência na adolescência, este fenómeno explica-se por ser um ciclo de vida em que ocorrem grandes alterações em todos os sentidos. Este comportamento consiste no procedimento intencional de ferir o próprio corpo, de tal forma a que se torne visível para o indivíduo. Existem diversas formas de automutilação, desde arranhões; mordidas; queimaduras; perfurações com objetos cortante, etc.

E o que leva o indivíduo à prática deste comportamento?

Por vezes, o sofrimento torna-se difícil de ser nomeado, simbolizado e até expresso por palavras. Quando esse indivíduo experiência uma situação emocional de forma angustiante e sente dificuldade em verbalizar a dor, o mesmo acaba por transferir esta dor emocional tornando-a física. Este comportamento trata-se de um ato lesivo que numa fase posterior pode tornar-se numa compulsão patológica, ou seja, poderá tornar-se num comportamento frequente aumentando também a sua gravidade. No entanto, é de ressalvar que este comportamento não tem como objetivo captar a atenção dos outros, pelo contrário, esta prática é maioritariamente realizada no refúgio de uma casa de banho ou do quarto.

A prática de automutilação pode estar relacionada, ainda, a outras perturbações do foro psicológico. Nomeadamente a depressão, a ansiedade, o pânico, determinadas obsessões, entre outros quadros clínicos. Um diagnóstico assertivo é de extrema importância, pois irá delinear a terapêutica mais adequada a utilizar com a pessoa envolvida. Assim sendo, o acompanhamento profissional é imprescindível, pois o profissional de saúde saberá como ajudar estes jovens a darem significado de forma saudável às suas emoções.


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