Autarquia critica abandono da construção da ETES do Lis

O recuo do Governo em relação à construção da Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ETES do Lis), anunciado no final de dezembro, merece fortes criticas das autarquias sob influência da bacia hidrográfica do Rio Lis - o presidente da Câmara da Batalha considera que a decisão tem “graves consequências ambientais”.

O ministro do Ambiente, Pedro Matos Fernandes, anunciou no dia 30 de dezembro, durante uma visita a Leiria, que a ETES do Lis não será construída por não haver a garantia da participação dos suinicultores no sistema de despoluição.

No mesmo dia, o autarca da Batalha, Paulo Batista Santos, enviou ao governante um ofício onde manifesta o seu desacordo, considerando a informação de que a ETES do Lis “não deverá avançar, alegadamente por razões de ausência de entendimento com os empresários do sector suinícola, pela gravidade do exposto e sobretudo pelas graves consequências ambientais da anunciada intenção em abandonar o projeto de construção”.

“Qual a alternativa viável do Governo para o tratamento dos efluentes suinícolas e despoluição da bacia hidrográfica do Lis? e Quais foram os resultados do estudo realizado pela AdP Energias?”, são as duas questões que Paulo Batista Santos coloca ao ministro do Ambiente.

“Compreenda que são questões centrais para um município muito afetado com este grave problema ambiental e empenhado numa solução sustentável para o ambiente da região, uma vez que as descargas ilegais persistem e tem vindo a agravar-se nos últimos meses”, justifica.

O Município da Batalha “há vários anos defende que a construção da ETES do Lis é um projeto de relevante interesse público e essencial ao plano de despoluição da bacia hidrográfica do Lis, bem como de regularização do setor pecuário da região e com impacto direto, entre outros, nos municípios de Leiria, Pombal, Ourém, Batalha, Marinha Grande e Porto de Mós”.

Estima-se que nos concelhos abrangidos pela bacia hidrográfica do Lis, existam mais de meio milhar de suiniculturas, com um efetivo animal superior a 300 mil cabeças, o que representa mais de mil metros cúbicos diários de efluentes suinícolas.

 


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