Joana Magalhães

Pestanas que Falam

A arte de não fazer nada

Hoje dormi 12 horas. Foi com um olhar espantado que visualizei as 12h45 no ecrã do telemóvel quando consegui abri os olhos o suficiente para ver o que me rodeava. Surpresas destas não acontecem todas as semanas, nem sequer todos os meses. Logo me levantei e lembrei que estava de férias. Ahh... Férias... Que bom! Pensei eu antes de olhar em volta e questionar-me: o que se faz nas férias?

Foi aí que me perguntei sobre a arte de não fazer nada. Sobre a forma como alguém, de um dia para o outro, passa do ritmo a 100 à hora para 0 ou pouco mais do que isso. Como se faz isso? Senti uma estranheza ao lembrar-me que não havia nada planeado para o dia. Nem horários a cumprir. Mas logo arranjei meia dúzia de tarefas que ocupassem as horas da tarde.

Afinal, corpos programados durante largos meses para andarem na velocidade máxima precisam de a reduzir gradualmente. Será por isso que no regresso ao trabalho se proferem as palavras "agora que estava a ficar relaxado" ou "agora que estava a desligar de tudo"? Se calhar é mesmo isso.

Não fazer nada também não é fácil, principalmente para os de mente agitada. Pedir ao corpo que pare é fácil e ele consente de bom grado. Mas pedir à mente não. Maldita. Sempre a balançar de tema em tema, de preocupação em preocupação, sem nunca tirar férias. Estará a essência da arte de não fazer nada na competência para desligar a mente?


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