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Notícias dos Combatentes

Ano novo, vida velha?

Acabada a euforia consumista (e carregadinha de boas intenções… de que o inferno está cheio) da quadra natalícia e da entrada num novo ano, de imediato se passou ao período de, a todos os níveis, se fazerem balanços e previsões.

Dum modo geral, a comunicação social, nacional e regional, com maior ou menor isenção, recorda-nos o que de mais relevante se passou, tanto quanto a factos positivos como negativos, embora, em termos de audiências, estes tenham sempre mais impacto. Talvez por que, desde cedo, somos mais “martelados” com este tipo de notícias, ou então teremos um qualquer mecanismo interior que dá mais ênfase à morbidez, e daí a nossa propensão para as desgraças, desde que estas não nos batam à porta, claro!

Enfim, no que refere a Portugal, dum modo geral, 2018 não diferiu grande coisa dos dois anos anteriores, a não ser no aumento exponencial de greves, e nem valerá a pena recuarmos mais, porque só iríamos reabrir feridas que ainda não sararam e provavelmente nunca sararão…

Quanto ao que há a esperar em 2019, em termos internacionais tudo leva a querer que o planeta Terra será um lugar cada vez mais perigoso para se viver, dado o aumento por esse mundo fora de “mandantes” cada vez mais radicais, se não mesmo completamente irresponsáveis.

Mas, aqui, no nosso “retângulo”, 2019 também não deverá ser de grandes auspícios, dado que teremos duas eleições pela frente: em maio para o Parlamento Europeu; em outubro para as Legislativas. Ora, já todos conhecemos bem o “calibre” dos nossos políticos e, pela amostra a que já assistimos em 2018, vamos voltar a ter uma guerra de provocações e promessas falaciosas.

Na sua mensagem do ano novo, o. Presidente da República bem apelou aos consensos; ao bom senso; à contenção; a que os políticos não façam promessas que sabem que não cumprirão. O azar – especialmente para nós, zé-povinho – é que à hora da mensagem do Presidente os políticos estariam todos com os ouvidos ainda ensurdecidos da berraria a que estiveram sujeitos durante a noite e não a conseguiram ouvir.

Por isso, não devemos estranhar que, durante as duas campanhas eleitorais que se avizinham, estes nossos especiais cidadãos, que tanto se “sacrificam” por nós, não sigam as recomendações do nosso Presidente. Mas será apenas porque a não ouviram. Homessa!

Aliás, para que estamos nós aqui com estas ironias, quando os políticos sabem perfeitamente que o que nós gostamos é que nos mintam e enganem?

Sendo assim, e é sistematicamente assim, por que carga de água é que hão-de mudar o discurso, se é com este que continuam a ser eleitos, desde há mais de 40 anos?

Bem, cada vez são eleitos com menos votos, é certo. Mas as leis eleitorais existentes permitem isso e, como têm a “faca e o queijo na mão”, naturalmente que não as vão mudar. Lá masoquistas, eles não são.

Mas falemos um pouco de nós, combatentes, porque também somos cidadãos de pleno direito. Como tal, queremos o melhor para nós e para as nossas famílias, para os amigos e para a comunidade em que estamos inseridos.

Ou seja, temos necessidades e anseios semelhantes a toda a gente, talvez com uma exceção (nada despiciente, aliás): como combatentes que fomos, ao serviço da Pátria, interiorizámos princípios de honra, disciplina e sentido do dever que, de algum modo, nos tornam únicos, no seio de uma comunidade que teima em não nos querer compreender, nem às nossas necessidades específicas.

Infelizmente, é devido a esta incompreensão (ou desprezo?) que continuamos a não dispor de um lugar digno para nos reunirmos e podermos recordar factos que só nós compreendemos; tal como o nosso concelho será, presentemente, o único que, na sua sede, não dispõe de um monumento ou memorial, que recorde, para a posteridade, todos aqueles que o souberam elevar bem alto a Pátria e tal mereciam.

Um bom ano de 2019 para todos os batalhenses… sem qualquer exceção!


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