Grupo Aves da Batalha

Natureza & Ambiente

Andorinha, um aliado urbano cada vez mais raro

Com o aproximar do fim do Inverno, começam a chegar às nossas cidades, vilas e aldeias umas pequenas aves pretas e brancas que trazem os primeiros sinais de Primavera. Ano após anos, partem do continente africano e fazem uma viagem de milhares de quilómetros para se reproduzir, sempre no mesmo local.

Em meado de Fevereiro, a vila e concelho da Batalha assistem à chegada das primeiras andorinhas-dos-beirais (Delichon urbicum). Estas permanecem na “sua vila” até ao mês de outubro, altura em que retomam aos locais de invernada, localizados a sul do deserto do Sahara. Esta partida é estimulada pela diminuição da temperatura, das horas de luz e da disponibilidade de alimento.

Depois de uma longa viagem, podíamos pensar que estas pequenas aves aproveitam para tirar uns dias de férias, mas não, a sua chegada à vila marca o início de outra longa maratona, um verdadeiro contra-relógio, que faz lembrar o stress da vida nas cidades. À semelhança das corridas para o trabalho, a azafama do quotidiano, também as andorinhas não têm tempo a perder e aplicam-se rapidamente em garantir 1 a 3 ninhadas de novas andorinhas, que darão continuidade à colónia e à espécie.

À semelhança do ser humano, esta espécie vive em grupos sociais, tanto na reprodução como em alimentação. Lado a lado, parecendo autênticos condomínios, cada casal de andorinha constrói nas juntas das paredes o seu ninho. A construção dura 10 a 15 dias, resultando num ninho de barro em forma de “meia taça” com uma pequena entrada na parte superior. Quando já construído de anos anteriores, cada casal apenas se dedica a fazer uma pequena manutenção.

Viver em grupo é uma estratégia que garante uma maior proteção às andorinhas. Uma das mais antigas e maior colónia que podemos observar no concelho da Batalha encontra-se nas varandas dos Edifícios da Célula B, no centro da vila, junto ao rio Lena. Esta colónia faz também, deste local, a sua casa há mais de década e meia, e todos os anos cerca de 30 casais regressam aqui para se reproduzir.

Já com o ninho pronto, reutilizado ou construído de novo, cada casal poderá avançar com a postura e incubação dos ovos, que em média tendem a ser quatro. Ao fim de 15 dias nascem as crias, que durante quase um mês dependem exclusivamente dos seus progenitores para saciar a interminável fome.

Por hora, cada um dos membros da família pode comer até 60 insetos, o que ao final do dia, para uma família com quatro jovens, poderá somar uma simpática quantia de 6800 insetos. Estes milhares de invertebrados, entre melgas e mosquitos, equivalem a 150 gramas de insetos ingeridos por cada andorinha, durante um único dia. Ao fim de um ano, cada uma das andorinhas que vive na Batalha poderá eliminar das ruas mais de 300 000 destes insetos (55 quilogramas). As andorinhas são também por isto, uma espécie altamente benéfica para os batalhenses e para a sua qualidade de vida. Ninguém gosta de ser picado ou de passar uma noite em branco por causa de um zumbido e é aqui que estas aves desempenham um grande papel. Estas pequenas aves, de forma inconsciente, acabam por fazer um grande favor ao nosso bem-estar e contribuir para o equilíbrio do ambiente.

Após acompanharem o crescimento e os primeiros voos da nova geração, cada casal pode ainda ter tempo de avançar com mais uma ou duas criações, se as condições ambientais e a disponibilidade alimentar assim o permitirem. Chegado o final do Verão, cada casal da colónia poderá criar até 12 novas andorinhas.

No final do Verão os batalhenses dizem até já a estas aves. Este é momento em que os jovens irão enfrentar o seu primeiro grande desafio, o de percorrer milhares de quilómetros até aos países subsarianos. Apesar de a cada ano novas gerações surgirem, a população europeia de andorinha-dos-beirais tem diminuído e são vários os fatores que contribuem para tal.

Alguns deles são, a destruição de ninhos e a dificuldade de encontrar locais para os construírem, devido às novas tendências de construção e à ausência de barro nas cidades. Aliado a isto, também o uso de pesticidas, que diminui a disponibilidade de insetos, tem sido responsável pela perda de 10% destas populações nos países europeus.

Por isto, a vila da Batalha e os batalhenses têm a grande responsabilidade de ano após ano, a uma escala local, dar condições às andorinhas para que continuem a escolher-nos como seus vizinhos, contribuindo desta forma para a sua conservação a nível nacional e europeu. Sempre que o permitirem, as andorinhas batalhenses voltarão ao seu lar para mais uma jornada de reprodução.

Por último, desafiamos os batalhenses a estarem atentos à chegada desta e das outras espécies de andorinhas ao concelho da Batalha, e a comunicarem-nos através da página de Facebook do Aves da Batalha ou do nosso email avesdabatalha@gmail.com. Contamos com o esforço de todos para melhor conhecer e proteger estas aves.

 


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