Núcleo de Combatentes da Batalha

Notícias dos combatentes

Aí estão elas (as eleições) e eles (os políticos)

No próximo dia 6 de outubro haverá eleições legislativas, pelo que voltamos a ser chamados às urnas, naturalmente para elegermos os deputados para a Assembleia da República, cujo mandato vigorará para os próximos quatro anos e donde resultará também o XXII governo constitucional, em princípio, para o mesmo período.

Nos regimes ditos democráticos, como ocorre em Portugal, votar é, não só, um dever de cidadania, mas também a melhor “arma” de que o povo dispõe para manifestar a sua opinião, relativamente a quem o governou nos últimos tempos. Quem entende que foi, ao menos minimamente, relativamente bem governado, vota no partido que exerceu o poder; se considera que o governo não governou para a maioria da sociedade, então castiga-o, votando noutro partido.

Isto é apenas uma teoria de como qualquer cidadão empenhado e consciente gostaria de proceder, mas não é, infelizmente, o que no nosso país habitualmente acontece, porque, em boa verdade, neste “jardim à beira mar plantado”, “outros valores mais altos se “alevantam”.

Com efeito, após a reimplantação, há 45 anos, da nossa democracia, não tardou que a desconfiança e o desalento começassem a grassar no seio da população em geral, ao dar-se conta de que, salvo exceções que, felizmente, ainda continuam a existir, grande parte dos políticos que nos foram governando, ao longo das últimas quatro décadas, fizeram-no de forma a merecer mais críticas do que encómios.

Por inexperiência? – Sim, no princípio talvez. Por incompetência? – Sim, também terá havido uma boa dose de incompetentes a governar-nos. Por calculismo ideológico? – Sem dúvida, também, porque cada partido e os seus apaniguados têm doutrinas e agendas próprias. Por colocarem os interesses pessoais, oligárquicos e obscuros bem à frente dos coletivos? Por caciquismo, nepotismo, compadrios, subjugação ao poder económico e situações afins?

Infelizmente não nos têm faltado exemplos do conjunto destes anacronismos.

E se, com alguns deles, podemos ser minimamente condescendentes e até indulgentes, outro tanto não se passa com os últimos referidos, por minarem, cada vez mais, a nossa democracia, e a nossa confiança nos políticos que nos têm governado, ao ponto de hoje observarmos dois fenómenos preocupantes: haver cada vez mais gente a invocar Salazar, que o mesmo é dizer, a suspirar por uma ditadura, em detrimento da nossa democracia; vermos crescer a percentagem, que começa a atingir números assustadores, do apelo à abstenção, que nalguns casos já ultrapassou os 50%, e veremos se nestas eleições tal não se repetirá.

Tememos que, se, a curto prazo, não houver uma reforma radical na forma como se faz política em Portugal, a situação de descrença, desinteresse e suspeição sobre os políticos continuará a grassar e, a certo momento, os catos eleitorais pouco mais contarão do que com os respetivos fanáticos partidários.

Em nosso entender, a abstenção massiva só facilita a vida aos carreiristas da política e achamos que não será essa a nossa melhor postura cívica. Se o “nosso” partido, no poder ou na oposição, não trilhou os caminhos que devia ter trilhado, castiguemo-lo, votando noutro que nos pareça menos mau. Mas, se consideramos que nenhum nos serve, seja pela ideologia que apregoa, seja por que não acreditamos nos seus líderes, que fazer? Abstemo-nos de votar? - Não! A abstenção continua a não ser a melhor solução e até “cheira” um bom bocado a comodismo. Vamos às urnas e votemos branco, mas votemos, porque só uma percentagem significativa de votos em branco (ou nulos) é que fará arrepiar caminho aos políticos!

Até por que, só votando, seja em quem ou de que maneira for, é que temos moral para criticar. Quando optamos pela abstenção, apenas estamos a colocar o nosso futuro, e dos nossos concidadãos, num número cada vez mais restrito duma elite que se está nas tintas para os abstencionistas, uma vez que estes não evitam que essa elite continue no “poleiro”, governando a seu belo prazer.

Portanto, caros concidadãos, no dia 06 de outubro nós iremos usar a nossa “arma”, o voto, cumprindo o nosso dever cívico. Quem, por opção, não fizer o mesmo, deixa de ter qualquer argumento para se queixar dos políticos.

 


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