A Opinião de André Loureiro

Presidente do PSD da Batalha

Agitar das águas da política local

“O pessimista reclama do vento, o otimista espera que ele mude, o realista ajusta as velas”. Esta reflexão, cujo autor não me recordo, ajuda-nos a compreender melhor a anunciada agitação política com que iremos conviver nos próximos tempos, ou talvez não.

Nestes últimos tempos, com evidente calculismo, vamos assistindo a boatos de rua difundidos pelos mesmos de sempre, notícias anónimas espalhadas nas redes sociais e em alguma imprensa regional. Seguir-se-ão entrevistas e eventuais sondagens que, há distância de um ano das próximas eleições autárquicas, irão “pronunciar” os vencedores antecipados.

Ora, é um “jogo” partidário e de interesses conhecidos - note-se que as mais recentes reações surgem num momento em que a autarquia decide impugnar judicialmente e denunciar importantes negócios nas áreas da extração na pedra. Mas sabemos que é um “campeonato” que ainda está a começar e por certo com muitas dificuldades. Senão vejamos.

Em primeiro lugar, os “agitadores” da política local ignoram que a realidade pandémica da Covid-19, que hoje conhecemos e infelizmente ainda irá prolongar-se no tempo, tende a concentrar a atenção dos cidadãos e dos autarcas em funções, pelo que muito provavelmente vão andar a falar entre eles e em circuito fechado, ou seja, serão daqueles pessimistas que irão sempre reclamar do vento.

Em segundo lugar, haverá outros, mais otimistas, que irão procurar mobilizar o povo para os novos e antigos grandes projetos para a nossa terra, fazendo jus ao Mestre d’ Avis – o de Boa Memória e grande obreiro do Mosteiro de Santa Maria da Vitória -, e vão anunciar milhões para infraestruturas rodoviárias, ferroviárias e até aeroportuárias, projetos que colocarão o concelho na primeira linha do desenvolvimento, a que se juntará a novidade do hidrogénio, esperando assim coligir apoios de pessoas importantes na terra e na confiança de que o vento esteja para mudanças.

Por fim, os realistas que têm de trabalhar em áreas novas como a saúde e ir ajustando as “velas” do barco da governação local conforme a evolução da crise sanitária e a gravidade das consequências económicas e sociais, que é como quem diz, esquecer as “politiquices” e concentrarem-se nas medidas de urgência para ir respondendo às necessidades das pessoas.

Caberá, então, a cada protagonista político ou grupo partidário enquadrar-se em uma das tipologias de comportamento que atrás enunciei e nessa perspetiva ser julgado pela população, no tempo certo que será somente daqui a um ano, em outubro de 2021, um tempo que nesta fase de emergência nacional é quase uma eternidade.

Apenas por essa razão, atrevo-me a deixar a modesta sugestão no sentido de convidar os “Velhos do Restelo” a terem calma e algum decoro, pois a epopeia que temos pela frente é muito exigente e prolongada, pelo que desta vez não basta enunciar os problemas, é mesmo preciso resolvê-los!

Uma palavra final de otimismo (com muito realismo) e de agradecimento aos nossos concidadãos. Depois do Governo nos ter colocado na lista de concelhos de maior risco de contágio da Covid-19, passados menos de dez dias, com o esforço de todos, foi possível ultrapassar mais este desafio que, na nossa autarquia, já leva mais de 6 meses de trabalho diário no apoio à população, empresas e instituições da nossa terra.

 

 


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