A Opinião de Dário Florindo

Coordenador Financeiro do Núcleo Territorial de Leiria da Iniciativa Liberal

Aceitar e calar?

Ser político é assumir um compromisso de administrar com rigor o bem público, é ser o representante e voz da vontade de um povo, é agir com respeito e integridade. Ser político é ter orgulho em ser eleito entre os demais, é um mandato de confiança! Ser político é além disto tudo, saber ganhar e perder e reconhecer que não somos insubstituíveis.

Na Batalha, assim como no nosso país, há cada vez mais, indivíduos que se chamam de “políticos”, mas nada mais são do que simplesmente “homens do seu oficio” na defesa dos seus interesses pessoais, que na primeira oportunidade esquecem a responsabilidade que lhes foi atribuída e deixam os seus cargos no caminho de outros mais apetecíveis.

Neste sentido, achei curioso e deprimente (para não expressar aqui outros sentimentos), uma parte do ato da tomada de posse dos eleitos para os diversos órgãos do Município da Batalha. Depois de afirmar repetidamente, que iria assumir o cargo de vereador da oposição – e alguns jornais da região até usam a expressão «deixa a certeza de que assumirá o papel de líder da oposição» -, o ex-presidente do município (e repito, em plena tomada de posse) afirmou, perante os políticos eleitos, a sua intenção de se demitir do cargo. Já houve governos curtos na História de Portugal, mas este chega ao ridículo. E ficamos recentemente a saber que, a convite do Dr. Gonçalo Lopes – Presidente da CM Leiria, que a intenção de demissão do vereador da oposição do PSD da Batalha vinha com o apetecível cargo de secretariado executivo da CIM da Região de Leiria onde “será responsável pelos fundos comunitários e o planeamento regional”. Sou assaltado por múltiplas questões…

Não duvido aqui da bondade das intenções quer de quem convida e de quem é convidado, mas importa questionar: que país estamos a construir? Qual foi a estratégia e os resultados para a região nos últimos 10 anos? É expectável que mude realmente alguma coisa por causa do PRR? E os Batalhenses?

Portugal é um país pobre, em recursos (e espírito), que continua sucessivamente de mão estendida a fundos comunitários. Não está na hora de mudar? Não desfazendo o mérito, como é que continuamos a aceitar e calar os convites e nomeações para cargos que merecem um pendor técnico, baseados na excelência do planeamento do território? As CIM são organismos de gestão integrada do território de uma região ou a ideia é tornarem-se refugiu de “políticos”? Em cargos de nomeação, cujo a remuneração é igual a 45 % da remuneração base do Presidente da República, ou seja aprox. 3050 euros brutos (Artigo 97.º, Lei n.º 75/2013), espera-se um pouco mais: uma explicação do perfil técnico do candidato na demonstração do mérito para o desempenho das funções. Quantos jovens, que por não terem cartão partidário, têm saído deste País ao verem o seu futuro e o seu vencimento hipotecado por impostos sufocantes que os fazem duvidar do seu esforço e mérito.

Talvez enquanto jovem e eterno sonhador de um país mais justo e prospero, tenha participado nas últimas eleições com a missão de conseguir dar esperança a outros, que como eu, querem mais do seu país e dos seus eleitos. A outros que como eu, querem um salário que não seja assaltado por impostos e possam ver o seu sucesso ser reconhecido. A outros que como eu, gostavam de acreditar que o PRR servia para levar o país na transformação de um território mais rico, com empresas capitalizadas e capazes de competir internacionalmente sem se verem sufocadas pelos impostos e custos de oportunidade.


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