A Opinião de António Lucas

Ex-presidente do Município da Batalha

30 anos

No que respeita à gestão municipal foram anos de muito investimento em infraestruturas, procurando-se aproveitar bem os fundos comunitários e colmatar as lacunas existentes no concelho e no país. A água canalizada ainda não chegava a muitas casas e o serviço era de fraca qualidade. O saneamento básico chegava a poucas casas. Fizeram-se investimentos significativos e resolveram-se estas lacunas.

Melhorou-se muito em termos de infraestruturas desportivas e culturais. Nasceram projetos importantes, como a unidade de cuidados continuados da Misericórdia da Batalha, a Pia do Urso e o Museu da Batalha. Os serviços públicos passaram a responder com maior rapidez e eficácia as necessidades e solicitações dos cidadãos.

A qualidade de vida evoluiu positivamente, não obstante alguns sobressaltos originados pelas oscilações cíclicas da economia. As preocupações de caráter social aumentaram, bem como as realizações nesta área, atenuando assim parcialmente algumas das desigualdades existentes. O voluntariado e o movimento associativo incrementaram e melhoraram as suas atividades e as instituições públicas, salvo raras exceções, souberam dignificar e agradecer esse precioso trabalho voluntário, em prol da comunidade, que continua e será cada dia mais necessário e importante, com especial relevância nas áreas social, desportiva, da cultura e lazer, etc.

Dignificaram-se batalhenses ilustres como é exemplo a atribuição do nome de José Travassos Santos à biblioteca da Batalha. Foi também possível e necessário alterar o paradigma da dívida recorrente dos municípios para o pagamento a tempo e horas a todos os interlocutores, sejam eles fornecedores, associações ou prestadores de serviços. O desemprego reduziu-se para valores quase residuais através da forte dinâmica empresarial e trabalhadora do Concelho da Batalha.

Nasceu e morreu a escola de artes e ofícios, mas não devia ter morrido. A região evoluiu muito na área empresarial e da geração de emprego, o espírito associativo desenvolveu-se, a oferta de ensino superior tornou-se uma realidade através do Politécnico de Leiria. Fizeram-se fortes investimentos em acessibilidades, especialmente na rodovia, nem sempre os mais adequados e esqueceu-se, e mal, a ferrovia.

O primeiro e mais importante desafio dos próximos 30 anos passa por vencermos a pandemia da Covid 19, para podermos regressar às nossas vidas. O nosso SNS terá um papel ciclopico. Para isso e em paralelo será necessário e fundamental criar condições para que a economia não se afunde demasiado, evitando o aparecimento de novos pobres com todas as consequências inerentes para eles próprios e para a sociedade.

Assim, as entidades públicas têm que alterar profundamente a sua forma de se relacionarem com os cidadãos e com as empresas, aproximando-se e sendo cada vez menos parte do problema e mais parte da solução. A vida já é difícil sem ninguém a atrapalhar. Os dinheiros públicos, através de orçamentos mais apertados, têm que ser melhor gastos naquilo que é mesmo importante e necessário. Os investimentos têm que ser mais ponderados e os gastos muito mais assertivos. Todas as gorduras devem ser eliminadas.

Continua a ser fundamental ordenar e rentabilizar a floresta para que passe a ser fonte de riqueza e de equilíbrio ambiental em detrimento de uma fonte de problemas e de despesa.

Os sistemas de abastamento de água têm que ser rejuvenescidos, mormente os que estão a chegar ou já ultrapassaram a sua vida útil.

Tem que haver uma atenção cada vez maior nos mais idosos, porque merecem e porque a sociedade lhes deve essa atenção.

O sistema de ensino tem que inovar adaptando-se a novas realidades. O SNS tem que ser mais dignificado e melhor gerido, porque se dúvidas ainda houvesse esta pandemia veio deixar claro que este é dos melhores sistemas de saúde do mundo.

Terá que se investir na ferrovia, como alternativa mais barata e ambientalmente mais racional, em detrimento da rodovia.

Ao nível da administração pública, as comunidades intermunicipais deverão receber mais competências do Estado central e das autarquias, para assim os cidadãos terem melhores serviços públicos e mais baratos.

Em suma, o Estado terá que se colocar ao lado dos cidadãos, prestando mais e melhores serviços ao menor preço, para que os cidadãos continuem a achar que este é o melhor modelo de sociedade e de governação, de forma a evitarem-se derivas para a extrema esquerda ou para a extrema direita.


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