Núcleo de Combatentes da Batalha

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2021 - uma falsa sensação de segurança

Chegado o tão ansiado 2021, com as tão ainda mais esperadas diversas vacinas, começa-se a baixar a guarda no combate à pandemia da Covid-19, com uma falsa sensação de segurança, como se tudo estivesse já para terminar. Ora, eis que se revelam novas variantes do vírus, sendo as mais preocupantes, a inglesa, 70% mais contagiosa, e uma sul-africana que o não é menos. Os casos de coronavírus disparam para números até agora nunca vistos em Portugal, ultrapassando uns impressionantes 10 mil casos positivos diários, com mais de 100 óbitos, e o final do mês de janeiro poderá revelar um chocante aumento para o dobro dos números atuais.

A vacina não produz efeito desde já, sendo necessária uma segunda dose para que providencie proteção; dose essa que será administrada apenas três semanas após a primeira. A inoculação far-se-á em diversas fases, como é do conhecimento geral.

Para que se atinja a imunidade de grupo demorará talvez outro ano.

Mas, a cada minuto, leem-se reclamações, espalhadas por todo o tipo de redes sociais, de que os hospitais, os centros de saúde e as unidades de saúde familiar, bem como as delegações de saúde pública, não dão vazão a todas as solicitações, não possuem capacidade de testar, não atuam em tempo útil! Aqui, e antes de se publicar fosse o que fosse, deveria haver a introspeção de cada um, para refletir se terá feito tudo ao seu alcance, cumprido rigorosamente todas as indicações da Direção Geral da Saúde, para não ter sido atingido ou considerado contacto de risco, e assim evitar ter de recorrer ao cada vez mais débil Sistema Nacional de Saúde que, devido aos abusos de tanta gente, já está a “rebentar pelas costuras”.

Para além da abertura dada, e das graves consequências que já se estão a colher, quantos facilitaram na consoada e dia de Natal? Quantos se juntaram, de várias bolhas, na época festiva, mesmo sendo família, principalmente na passagem do ano, contra todas as indicações e contrariando toda a lógica, promovendo os contactos e, consequentemente, o aumento exponencial dos casos suspeitos e de contágio?

Os profissionais de saúde também adoecem, e não por negligência, mas por contactarem diretamente com todos os que procuram cuidados; com todos os que não tiveram cuidado. Para não entrar por onde ainda escasseiam mais meios, e onde os profissionais já estão em rotura, ou seja os hospitais e as unidades de saúde, só a título de exemplo, normalmente, numa delegação de saúde pública, utilizando uma referência geral a nível nacional, não estarão mais de quatro profissionais, que atendem as centenas de chamadas telefónicas recebidas, passam as declarações provisórias de isolamento profilático, passam, à posteriori, as declarações definitivas, marcam os testes Covid, informam do resultado dos mesmos, lançam os dados nas plataformas informáticas, contactam as autoridades e enviam as listagens para a verificação ao domicílio do cumprimento do isolamento, fora todas as rotinas diárias não Covid que continuam a decorrer como, por exemplo, as solicitações dos tão importantes atestados multiusos.

Não resta se não apelar ao bom senso, para que não se facilite, se encare a epidemia ainda com mais respeito e se apliquem rigorosamente as medidas mais que conhecidas, sobejamente divulgadas e em vigor.

A terceira vaga da pandemia chegará silenciosa e ceifará muitas mais vidas, as vidas dos nossos familiares e amigos, a nossa, a dos que conhecemos em redor, e esse remorso ninguém quererá certamente carregar.


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