A Opinião de Israel Paródia

Estudante de medicina na Nova Medical School, Universidade Nova de Lisboa

2020 - O ano da mudança

2020 é um ano que perdurará na nossa memória. Foi no início deste ano que a pandemia que nos assola atualmente começou a dar os primeiros sinais de existência, revelando-se catastrófica a todos os níveis. A capacidade de ignorar o óbvio permitiu que, escassos meses após o foco primário de contágio, a OMS declarasse o SARS-CoV-2 como uma pandemia. É incrédulo como numa sociedade que se julgava tão evoluída, uma simples partícula, cem mil vezes menor que uma formiga, nos desperta para a vulnerabilidade da humanidade – uma lição a reter.

No entanto, 2020, pessoalmente, também me traz memórias felizes, pois termino agora o primeiro ano do curso de Medicina na UNL. Os motivos que me conduziram à ambição de ser médico foram o facto de ser a profissão que melhor alia as minhas duas grandes paixões: a ciência e as relações humanas.

Temo que as pessoas se tenham tornado mais intolerantes. Não é coincidência o facto de que, ultimamente, a taxa de divórcios tenha disparado ou o discurso de ódio a minorias se tenha banalizado, provocando diversas manifestações a nível mundial contra o racismo, usando como modelo o assassinato de George Floyd, afro-americano estrangulado por um polícia devido a um simples delito. Parece que, mais uma vez, tal como a História nos ensina, ou talvez não, após épocas de grande crise, o ser humano sente sempre a necessidade de arranjar um bode expiatório, que, cobardemente, corresponde sempre àqueles que têm menor voz social. Torna-se ainda mais assustador quando constatamos que esta onda crescente de ódio se instala no Estado Democrático, que compactua com a existência anticonstitucional de um deputado com ligações neonazis, desvalorizando-se as milhões de vidas ceifadas na 2ª Guerra Mundial.

Que impacto terá tudo isto no futuro? Tudo depende da forma como reagimos às adversidades e respeitamos o esforço heroico com que os profissionais de saúde enfrentam o inimigo diariamente.

Aplaudir à janela? Não chega, é necessário cumprir as regras instituídas.


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