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14 de Agosto – o dia da Batalha de Aljubarrota e da morte do rei que a comandou

No mês em que se celebra a Batalha de Aljubarrota, recordamos o rei que a comandou, no dia 14 de agosto de 1385.

D. João I nasceu a 11 de abril de 1357, em Lisboa. Filho ilegítimo do rei D. Pedro I e de D. Teresa Lourenço, foi consagrado Grão-Mestre da Ordem de Avis em 1364.

Em 1385, após interregno (sem rei no poder), entre 1383-1385, coincidente com um período de crise e de guerra civil, foi nomeado rei de Portugal nas Cortes de Coimbra.

Já nomeado, viu o reino ser invadido diversas vezes por Castela, sendo os episódios mais marcantes o cerco de Lisboa, que durou perto de quatro meses, e a Batalha de Aljubarrota que contou com a destreza do condestável do reino, D. Nuno Álvares Pereira.

D. João I casou com D. Filipa de Lencastre, quando tinha 30 anos. Do casamento nasceram oito filhos: D. Duarte, D. Pedro, D. Isabel, D. Henrique, D. João, e D. Fernando e mais dois que faleceram muito jovens.

Foi-lhe atribuído o cognome “de Boa Memória” devido à sua forma de governar e à relação para com a corte e sociedade em geral. Em momentos de campanhas ou guerras, o rei exibia os símbolos do seu poder militar, através de armas, espada e escudo, hasteando o pendão real e vestes identificadas com as cores e heráldica da realeza. Nos mosteiros e igrejas, patrocinados pela Coroa, eram esculpidos ou pintados nome e os símbolos do rei e do reino.

Pressentindo a morte, no início de agosto de 1433, D. João I pediu que fosse levado para o castelo da Alcáçova, em Lisboa, alegando ser “a sua melhor casa de seus reinos” (COELHO, 2009, p.92). No dia 14 de agosto de 1433, rodeado pelos seus filhos, o monarca apercebendo-se de que não tinha a barba aparada, solicitou que lha cortassem “pois não convinha a rei, que muitos haviam de ver, ficar depois de morto espantoso e disforme” (COELHO, 2009, p.92). Acabou por falecer nesse mesmo dia.

Cumprindo a sua vontade, o corpo do monarca foi sepultado no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, que mandara erguer. Após mais de setenta dias exposto na Sé de Lisboa para que toda a cidade lhe prestasse a devida homenagem, iniciou-se, a 25 de outubro do mesmo ano, o processo de trasladação para o Mosteiro da Batalha, através de um longo ritual.

Todos os sinos das igrejas e mosteiros de lisboa tocaram. Cinco cavalos encabeçaram o cortejo cobertos de panos bordados que representam S. Jorge, seu protetor de guerra, as armas reais, as letras e símbolos da sua divisa. O caixão foi carregado pelos infantes, condes e grandes senhores. Seguiram-no doze cavalos que ostentavam as bandeiras e armas reais e vinte e quatro religiosos que proferiam orações. Ao longo do trajeto, houve diversas paragens para ritos religiosos, nomeadamente no Mosteiro de Odivelas, na Igreja de Vila Franca de Xira, na Igreja de Alcoentre e no Mosteiro de Alcobaça.

O corpo chegou à Batalha no dia 29 de outubro de 1433, carregado aos ombros pelos seus filhos, e foi colocado num digno estrado junto de sua esposa.

Visite a Capela do Fundador, no Mosteiro da Batalha, onde se encontra sepultado o rei D. João I e venha conhecer mais curiosidades sobre a nossa História no MCCB. Recordamos que ao primeiro domingo do mês, as entradas no Museu são gratuitas para naturais ou residentes no concelho.

FONTES: COELHO, Maria Helena da Cruz: D. João I - O da Boa Memória; Academia Portuguesa da História. 2009 www.mosteirodabatalha.gov.pt


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