Município da Batalha - Museu da Comunidade Concelhia da Batalha

Espaço do Museu

10 anos de um museu feito com e para comunidade

No ano em que o Museu da Comunidade Concelhia da Batalha (MCCB) celebra 10 anos de abertura ao público, relembramos o conceito deste projeto assente na Museologia Social e nos Museus de Comunidade.

Um conceito para um projeto ambicioso que pretendia potenciar a oferta cultural a turistas e visitantes que procuram esta região. Dar a conhecer o património da comunidade e entender que há muito mais Batalha para além do seu magnífico Mosteiro trouxe audácia, ousadia e empenho de uma equipa de trabalho que envolveu técnicos do município e colaboradores especializados em áreas como a Museologia e a Museografia, a Paleontologia, a Geologia, a Arqueologia, a Arte e História, a Biodiversidade e a Multimédia.

Um museu que tem a comunidade no seu nome germinou no seio do território, através dos encontros em todas as freguesias do concelho, envolvendo as paróquias, as coletividades e as forças vivas locais. Investigadores e comunidade traçaram um percurso expositivo que se enriquece graças à generosidade de todos aqueles que contribuíram com o seu conhecimento.

A história que se revela no Museu é aquela que as pessoas da Batalha quiseram que fosse contada. Com elas se construiu uma base de dados que tem mais de 300 acontecimentos diferentes e que, depois de votados e selecionados, deram lugar a uma narrativa cronológica complementada com uma coleção de objetos muito diversificada.

Depois da história construída, recolheram-se as peças existentes nos espaços da câmara municipal, às quais se juntaram objetos emprestados pelos membros da comunidade e por museus parceiros para ilustrar, às pessoas que vêm de fora e a eles próprios, a história deste território.

Construir coletivamente um museu significa dar-lhe vida e potenciar a construção do futuro.

Graças ao trabalho articulado de todos os intervenientes, hoje o visitante entra num espaço que se distingue pela sua sobriedade e sentido estético. A conceção museográfica deve-se a António Viana que, por via de uma criteriosa escolha de cores, luzes e materiais expositivos, juntou a harmonia da exposição ao bem-estar de quem dela usufrui. “Origens”, “Tempo e Memória”, “Viver na Biodiversidade”, “Tudo sobre nós”, “Laboratório da Memória Futura” e “Atividades comunitárias” são os temas das áreas que se distribuem nos dois pisos do Museu e que fazem deste espaço a interpretação e reinterpretação do território batalhense. Toda a exposição contempla recursos de acessibilidade, resultantes do trabalho da coordenadora e especialista nesta área, Josélia Neves.

É com a comunidade que se colabora, perspetivando, na cooperação continuada, um dos fundamentos essenciais do programa museológico, da autoria da museóloga Ana Mercedes Stoffel. A área “Atividades Comunitárias” cumpre este objetivo, exibindo exposições de média duração, resultantes de trabalhos de investigação participada. Neste espaço esteve patente uma exposição sobre o ensino na Batalha, que contou com participação de professores no ativo e aposentados, e com a comunidade em geral. Atualmente, permanece a exposição sobre a exploração de 100 anos de carvão, num trabalho resultante da indispensável colaboração da última geração de mineiros de Alcanadas.

Em 10 anos de trabalho com o público, este museu procura reforçar os laços com a comunidade, identificando e interpretando o património e democratizando o acesso ao conhecimento e à cultura.


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