António Lucas

Ex-presidente da câmara e assembleia municipais

Votação significativa nas listas de cidadãos

A Opinião de António Lucas

 

Decorreram mais umas eleições autárquicas, com alguns factos dignos de realce. Em termos nacionais, o PS foi o vencedor, o CDS subiu a sua votação, o PSD e a CDU perderam diversas câmaras e o BE praticamente não conta, em termos de resultados autárquicos. Assim sendo, o PS irá liderar a ANMP- Associação de Municípios e a ANAFRE - Associação de Freguesias. Existem diversas explicações para estes resultados nacionais, que depois de extrapoladas para cada um dos resultados locais não se aplicam de forma direta a cada município, pois cada caso é um caso, com realidades muito específicas. Outra nota de realce, é o nível muito elevado de abstenção e pasme-se, que até o ex presidente da republica Cavaco Silva contribuiu para o aumento da abstenção.

Na ótica regional/CIMRL – Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, verificou-se um empate, cinco câmaras para o PS e cinco para o PSD, com algumas trocas pelo meio, como são os casos de Porto de Mós, Ansião, Pedrogão Grande e Castanheira de Pera. Porto de Mós e Castanheira eram PS e passaram para o PSD. Acontecendo o inverso com Pedrogão e Ansião, eram PSD e passaram para o PS. 

Olhando em pormenor cada uma delas, verifica-se que em dois casos algumas trocas e baldrocas dos partidos originaram a perda das câmaras, coisa que não seria muito expectável até aos votos contados.

Outro facto com realce passa pela subida ou pela votação significativa nas listas de cidadãos independentes, que será mais um sinal para os partidos mudarem de estratégia, sob pena destas situações continuarem a aumentar.

No que respeita ao nosso concelho, verificou-se também uma abstenção muito significativa, com o PSD a obter uma ligeira subida, o CDS a manter, o PS a subir bastante a sua votação e a CDU a desaparecer da assembleia municipal.

No executivo ficou tudo na mesma, com o PSD com cinco vereadores, o PS com um e o CDS com um. Na assembleia municipal o PSD perdeu elementos, por via do crescimento do PS e da perda de uma junta de freguesia, a da Golpilheira para o PS. Uma nota também para uma lista de cidadãos independentes que concorreu à freguesia da Batalha, tendo elegido dois elementos, o que merece realce.

Estes resultados evidenciam alguns sinais, que quanto a mim devem ser bem apreendidos, interiorizados e analisados, e acima de tudo deverão retirar-se conclusões, que originem uma mudança de paradigma, pois poderão querer indiciar um futuro diferente e não muito longínquo.  As mudanças por vezes são lentas, mas acontecem. O futuro é já ali, e as próximas eleições são já daqui a quatro anos.

Terminada a contagem dos votos, realizou-se a tomada de posse dos novos eleitos, iniciando-se um novo ciclo, desejando que seja de continuidade nos aspetos positivos da gestão anterior e de mudança naquilo que foi mal feito e que necessita de alterações urgentes e significativas, tendo esses aspetos menos positivos servido de aprendizagem para que não mais se repitam. Isto aplica-se igualmente a maiorias e a oposições.

Por outro lado, os governos locais devem esquecer de imediato as batalhas eleitorais, e sempre, mas sempre, esquecerem as cores de camisolas eleitorais e pensarem apenas nos 16.000 cidadãos do concelho e das freguesias, como mais um munícipe ou mais um freguês. A política é uma arte nobre de colocar à disposição de todos, de forma o mais igual possível, aquilo que é disponibilizado ao estado, pelo trabalho dos cidadãos. Logo, deve ser gerido com elevada responsabilidade e cuidados extremos.

Votos de parabéns e bom trabalho para todos os eleitos e honra aos que não venceram, pela sua participação e espírito de cidadania.

                                                                                       

 


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