Presidente recusa “discurso de capelinha”

O reeleito presidente da câmara da Batalha, Paulo Batista Santos, garantiu durante a sessão de instalação dos novos órgãos autárquicos, resultantes das eleições de 1 deste mês de outubro, que “nunca” utilizará um “discurso de capelinha” ou de “luta em desfavor” de outros municípios, defendendo a cooperação regional.

O autarca defendeu o “conceito de região, dos problemas partilhados, das soluções conjuntas”, que  “é hoje o desafio das autarquias locais”. “Sozinhos não vamos a qualquer lado. Só através de sinergias, de complementaridade e de parcerias é que os concelhos podem ser bem sucedidos”, adiantou.

“Sempre que nos fechámos, sempre que quisemos estar sozinhos, entorpecemos. Sempre que desejámos partilhar e construir com os outros, crescemos e estamos a liderar projetos”, destacou Paulo Batista Santos durante a cerimónia, que decorreu no dia 16 deste mês de outubro no auditório municipal.

“Nunca verão neste presidente da câmara um discurso de capelinha, de lutar pelo concelho em desfavor dos outros”, adiantou, concretizando que a ideia também se aplica ao concelho: “É muito importante que as nossas quatro freguesias possam crescer em conjunto, é muito importante para os projetos que nos ligam a empresas e sistemas intermunicipais”.

Neste contexto, defendeu “a visão de otimização que centra as políticas, não na ambição de um concelho, mas na ambição das pessoas”, apontando como desafios a vencer nos próximos quatro anos a descentralização de competências do Estado para as autarquias, a educação, a cultura e a população sénior.

No referente às eleições, Paulo Batista Santos, constatou: “Houve partidos que ganharam e outros que perderam. Mas depois de eleitos estamos todos a servir o concelho da Batalha”. E adiantou: “Estou muito satisfeito com a equipa de vereadores: gente nova, que está a iniciar funções, e outros que têm mais experiência, que já exerceram funções autárquicas”.

“Portanto – frisou - não há qualquer desculpa para que este executivo não seja bem sucedido. Temos na câmara (e na assembleia municipal) gente com capacidade, com competências para desenvolver um bom trabalho”.

O novo presidente da assembleia municipal, Júlio Órfão, elogiou o trabalho do seu antecessor, António Lucas, e agradeceu a “deferência” da eleição, sentindo-se “honrado por participar novamente na vida ativa do concelho”, da qual esteve “arredado uma vintena de anos”, enquanto foi diretor do mosteiro.

“Aprendi no serviço militar: ”Nunca te ofereças, mas disponibiliza-te sempre que te pedem, sobretudo quando achares que tens competências e capacidade para fazer aquilo a que te propões”. É com este objetivo que aqui estou e espero realmente ser capaz de chegar a bons resultados”, adiantou Júlio Órfão.

António Lucas, que exerceu funções autárquicas durante 28 anos, destacou que “foi um grande prazer representar e  trabalhar em prol do concelho”. “A população da Batalha merece que nos dediquemos de corpo e alma no sentido de permitir que o concelho continue a desenvolver-se”.

Numa nota sobre a sua vida autárquica, disse que “foi possível fazer alguns projetos bem interessantes, que ainda hoje continuam bem vivos, mercê de uma equipa. Ninguém trabalha sozinho, a ideia de que alguém consegue fazer sozinho alguma coisa não é verdadeira”.

O presidente da câmara endossou a António Lucas “uma palavra de muito apreço, de reconhecimento, pelo testemunho que deixa na Batalha e pela forma exemplar e leal com que exerceu funções na assembleia municipal, contribuindo muito para a dignificação do órgão”.

 

Fogos difíceis no concelho

 

As freguesias de São Mamede e Reguengo do Fetal passaram momentos “difíceis”, “algo dramáticos” nalguns casos, nos dias 15 e 16 deste mês, em resultado dos incêndios que deflagraram no concelho, que destruíram floresta e mato, mas não causaram danos em habitações ou ferimentos em pessoas.

Este assunto foi abordado pelo presidente da câmara durante a instalação dos novos órgãos autárquicos. Paulo Batista Santos justificou a ausência na cerimónia de autarcas da região por estarem envolvidos em ações de combate aos fogos. Aliás, esta situação fez que o reeleito presidente da junta de São Mamede, Marco Vieira, estivesse ausente da cerimónia e só tome posse na próxima assembleia municipal.

“Tivemos uma noite muito intensa. Estamos a viver um momento difícil no concelho, em resultado de duas ocorrências muito difíceis de resolver. Passámos a noite a debelá-las. Fomos bem sucedidos na sua contenção, mas o problema ainda não está resolvido”, explicou o autarca.

“Vivemos esta noite momentos difíceis, aqui e acolá até algo dramáticos, mas fomos fortes, sozinhos, porque os outros concelhos também estavam a ser muito fustigados, mas conseguimos que o fogo não chegasse a qualquer habitação e rapidamente fosse contido”, com a ajuda dos batalhenses e do reforço dos bombeiros da Batalha, que estavam mobilizados noutros sítios e regressaram”, explicou Paulo Batista Santos, frisando: “A tragédia que aconteceu no norte do distrito de Leiria também esteve à nossa porta por estes dias. Tivemos mais sorte, mas poderíamos não ter tido”.

O reeleito presidente da câmara elogiou a ajuda da população e o trabalho dos bombeiros, como já antes fizera António Lucas, que enviou uma palavra de “solidariedade aos nossos bombeiros mercê daquilo que está a acontecer no país”, fazendo votos que “alguém olhe para a questão dos fogos florestais de uma forma definitiva e de uma vez por todas se implemente uma reforma da floresta em condições, para que a população não esteja sujeita a este tipo de situações no futuro”.


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