Nem toda a tristeza é depressão

A depressão é uma das doenças psiquiátricas mais comuns. De acordo com OMS (Organização Mundial de Saúde), até 2020 a depressão será a principal doença mais incapacitante em todo o mundo.

Embora não existam dados exatos em relação à frequência da depressão em Portugal, estima-se que as formas mais graves de depressão afetem entre 2 a 3% dos homens e entre 5 a 9% das mulheres. É uma doença que requer tratamento, daí a importância de procurar ajuda especializada o mais precocemente possível.

Os acontecimentos traumáticos podem desencadear a depressão ou promover episódios depressivos. Hoje sabe-se também que o tipo de personalidade e a forma como lidamos com as adversidades pode estar ligado a uma menor ou maior predisposição para a depressão. A nível geral, a depressão parece resultar de uma combinação de fatores do foro genético, ambiental, biológico e psicológico.

A depressão é uma perturbação do humor que não deve ser confundida com os sentimentos de tristeza, geralmente reativos a acontecimentos da vida, temporários e que, de um modo geral, não são incompatíveis com uma vida normal. Na depressão, os sintomas tendem a persistir durante mais tempo e podem incluir: sentimentos de tristeza e aborrecimento, sensações de irritabilidade, tensão ou agitação; sensações de aflição, preocupação, receios infundados e insegurança; diminuição da energia, fadiga e lentidão; perda de interesse e prazer nas atividades diárias, perturbação do sono e do desejo sexual, variações significativas do peso por perturbações do apetite, sentimentos de culpa e de auto-desvalorização, alterações da concentração, memória e raciocínio; sintomas físicos não devidos a outra doença (dores de cabeça, perturbações digestivas, dor crónica, mal-estar geral), ideias de morte e tentativas de suicídio.

Nas formas mais ligeiras, a intensidade dos sintomas é menor e permitem a manutenção das atividades diárias, embora sempre com uma sensação de fadiga, tristeza e desinteresse, que se prolonga durante anos. Nas formas mais graves, os sintomas podem surgir sem relação aparente com acontecimentos traumáticos da vida e duram diversos meses.

Existem diversos tratamentos possíveis para a depressão, incluindo-se nestes os medicamentos antidepressivos e a psicoterapia (terapia com psicólogo). As estimativas indicam que a taxa de sucesso da psicoterapia no tratamento da depressão é de 80%, aumentando quando é feita juntamente com medicação.

Existem diversas classes de medicamentos que deverão ser sempre escolhidos pelo médico de uma forma individualizada. De um modo geral, são tratamentos que devem ser prolongados durante um período de tempo significativo de modo a serem eficazes. O suporte familiar e social é um complemento importante do tratamento selecionado pelo médico.

O prognóstico da depressão é bom e depende essencialmente do tratamento instituído e de um adequado controlo de todos os fatores de risco presentes em cada caso.

Gabriela Amorim Reis
Interna de Medicina Geral e Familiar USF Condestável, Batalha


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